segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Entre Clarice lispector e Lúcio Cardoso
Depois da desafiadora e não menos perturbadora G.H. personagem a beira da loucura e da transcendência, criada pela excelente escritora brasileira Clarice Lispector, me detenho a leitura de um mineiro há muito na minha lista de livro desejados.
Adquerido pelo meu querido Tiago na tarde de ontem sobe minha influencia, três novelas de Lúcio Cardoso compiladas em um livro. “ Inácio, O Enfeitiçado e Baltazar” é o título do livro e são respectivamente os nomes das novelas editadas pela editora Civilização brasileira. Conhecido pela narrativa de mistério e suspense, o jornalista e escritor Lúcio Cardoso escreve tramas com personagens doentes , marginais, com densa carga erótica e sublimidades homoeróticas.
Ainda lendo a primeira novela, e gostando muito, indico para quem se interessar por uma literatura de sugestão e não poderia ser diferente de identificação, assim que acabar o livro conto sobre minhas impressões mais detidamente.
Ps: Lúcio Cardoso foi um dos grandes incentivadores de Clarice Lispector no inicio de sua carreira. Um Sinal?
Jt
Hoje acordei com D. W. Griffith.
Quando acordei o dia estava chuvoso. Chovia lá fora. Abri a janela e senti um leve frio.
Lembrei que estava em dívida com um filme: A Inocente Pecadora(1921) de D.W. Griffith. Não deu outra sentei na cama e coloquei o filme no aparelho de DVD.
Ultimamente tenho me ocupado a ver os filmes que concorrem ao Oscar 2011, pois como todos sabem sou daqueles que ainda conserva o mau hábito de prestigiar essa premiação. Bem, diante de tantas obras medianas que estão no pário esse ano, nada como um autêntico e potente filme americano, carregado de ideologia e consolidando um modo hegemônico de narrativa fílmica.
A Inocente Pecadora é um filme absoluto , desde a narrativa com a magnífica montagem paralela e com o sistema melodramático estrutural, com uma direção perspicaz, ousada, desafiadora e revolucionária de Griffith, atuações dignas e impressionantes. Lilian Gish se tornando o primeiro mito fêmeo da história do cinema, sequencias alucinantes como a do rio congelado e um roteiro pra lá de atual.
Impactado depois da excelente sessão, fui tomar um banho e comer miojo com pimentão.
Bom dia....
Jt
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Uma frase curta, um conto, uma palavra comum.
Trancar em gaveta, guardar em porão.
Vi que possível não é.
O que escrevo é extensão de mim,
Não catarse.
Sei é que me alargo.
Escrevo sempre o pequeno:
A palavra comum.
Mas é com o EU MAIOR.
Maior, Maior.
Maior do que eu.
Amputado ou Coisa escondida demais
Embaixo da cama de minha avó,
Achei uma caixinha azul de metal.
Ali, um vidrinho de perfume
em formato de coração,
um relógio de bolso dourado e fotografias.
De repente, uma voz:
"Peloco de vó, venha comer!"
De susto, ligeiro, a tranquei.
Vinte e sete anos se passaram.
Sensação outro dia de que perdi coisa minha
Lá dentro.
Descobri que peloco é filhote de pássaro.
E que, quando fechei a pequena caixa,
Esqueci dentro dela as minhas asinhas.
Passei para...
Dizer que estou com muitas saudades de uma Galega linda que perambula pelo mundo a fora. diante da saudade não me contive fui de encontro a descrição de seu universo através da escrita de Clarice Lispector. livro escolhido: "A PAIXÃO SEGUNDO G.H.", ABSOLUTO.
Como o universo de G.H. é estranho, como passar um dia ao seu lado é estranho e fascinante e dolorido e prazeroso e sexual e divino e epifânico e catartico e vivo e místico.
Saudades galega, volta, volta meu amor.....
Ninalcira beijo imenso e obrigado por existir, e viva a Clarice Lispector.
JT
A laranjeira, Carlos Fuentes
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
O sacrifício- primeira parte
Dizem por ai, a boca pequena, que Nietzsche matou Deus. Na verdade esse assunto já é bem velho. Basta lembrar como Hume define Deus: hipérbole das qualidades humanas ou Feuerbach que entende Deus como uma projeção doentia dos desejos humanos. Não vou aqui levantar os mais diversos precedentes históricos, mas, Deus morreu mesmo? Será que Deus enquanto conceito criado por Aristóteles e por muitas vezes tomado de empréstimo por vários filósofos modernos morreu mesmo? Será que Deus enquanto criador ou ser metafísico ou entidade religiosa morreu mesmo?
Tal discursão também é levantada por um filme absolutamente fenomenal dirigido pelo cineasta Andrei Tarkovski que estou ainda a elaborar na mente o que seu minucioso discurso eminentemente religioso quer provar ou mostrar. Deus existe? É preciso sacrifício para que ele se manifeste? É loucura acreditar em Deus? A loucura é para aqueles que acreditam? O homem é realmente um ser doente quando acredita em Deus?
Bem, tais perguntas podem nortear uma analise filosófico-religiosa acerca do filme em questão, mais sobre ele em breve. O fato é que ele atordoa, enlouquece faz tremer e temer é uma ode ao belo ou ao terror sublime que a morte provoca. Ele é.....
Jadson
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Gosto tabmbém da nao explicacao e da nao explicitacao. Gosto dos mistérios também. Especialmente dos mistérios gozosos (como diria Afonso Romano de Santana).
P.S.: nao sei onde ficam o cedilha, o tio e o bichinho que parece com aspas para colocar no sobrenome Santana...É a vida!
domingo, 9 de janeiro de 2011
Homenagem a Wesley de Castro
Ele conseguia ficar de pernas para o ar apoiando-se numa barra de ferro, eu tentei..., nós sorriamos.
Dizem que ele é jovem e que sou velho apesar dele ser mais velho uns 6 meses, não me sinto velho, talvez eu seja um pouquinho gordo e ele é magro bem magro.
Querido Wesley, em alguns dias partirei para uma terra um pouco distante, mas não estarei longe ao menos espirituosamente não.
Ele tem um sorriso largo histriônico, sou um pouco mais introspectivo contido, mas sabem de uma coisa sabemos nos divertir há se sabemos.
E gostamos do mar, num momento epifanico sentamos um do lado do outro olhando a imensidade do mar e sentindo o vento ( ar em movimento).
Beijo meu grande amigo e Parabéns.
Jt
sábado, 8 de janeiro de 2011
O Corpo e a Morte
A idéia que tenho de um corpo que morre
É que ele diminui.
O corpo do morto é um corpo menor.
Mas a morte, não!
A morte é máxima.
A morte se verte larga e mais se alarga.
Sai de fonte que não seca.
A morte existe,
A vida também.
Mas a vida consome.
A morte, não!
A morte amplia.
A morte é sempre máxima,
Natureza implacável, verdadeira
Solidão.
O corpo quando encontra a morte é
Porque encontra o ponto da
Máxima solidão.
O corpo do morto é um corpo menor
E um corpo distante.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
"Todo mundo tem um canto de tristeza"
Eu olho meu canto mais triste
(“Mais” porque, em todos, guardados estão
Pedacinhos de tristeza).
Agradeço aos céus porque são cantos
E não quartos inteiros, salas inteiras,
Casa inteira.
Há alegria no centro da sala,
Em cima do fogão, pendurada no
Telhado.
É por isso que ando de um modo a
Evitar as beiradas da casa.
Ando na ponta dos pés,
Faço movimentos bem contidos.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Sônia me negou o sorriso
"Coração Disparado"
Ontem à noite,
Meu coração disparou.
Pulsava enlouquecido.
O fui contendo com a respiração.
Pouco depois, lá ele estava.
Coração disparado.
Eu, aturdida,
Não sabia: rir ou chorar?
Doía o peito, doía o plexo.
Tive medo de um infarto.
Mas não, era um parto.
Pari meu coração agoniado.
A PORCARIA DA MUSIFICAÇÃO
Li ontem, nalgum lugar, que um rapaz lia Clarice Lispector porque queria "esquecer" de sua vida, de seus problemas, ao passo que eu, quando o faço, sigo o caminho inverso: quero lembrar deles, quero enfrentá-los, assimilá-los culturalmente, através de formas que transcendem a minha própria originalidade. Mas ESQUECER, definitivamente, não é um verbo que eu goste. Quem me conhece, sabe. Quem não conhece, deve estar sabendo agora...
Faz um tempo que eu estou tentando ver "Providence" (1977, de Alain Resnais), mais, sempre que começo, o DVD engancha, a cópia estraga, a minha cabeça dói, algo acontece que impede. Na trama, um escritor velho é assassinato e seus amigos relembram sua vida e obra por um viés pessoal, longe, bem longe do esquematismo formal que marcara a sua existência. Ou algo assim, visto que evitei ler sinopses para não estragar a minha apreciação. Alain Resnais é um cineasta estranho. Mas fica a vontade, porque vontade eu tenho de sobra.
E eu sei que pode ser covardia de minha parte, mas é tão melhor trabalhar com musos pairando sobre minha mente...
E eu assinei um acordo (uso circunflexos, mesmo quando dizem que não se deve, mas aqui eu cedo): tenho que fazê-lo sem fazê-lo!
Wesley PC>
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Como foi o primeiro dia do ano de vcs? Foram para que lugares? Quem é que foi? Assistiram a que filmes? Então, Jadão, foi bom ouvir sua voz...
Muita coisa para escrever, depois elaboro tudo...
sábado, 1 de janeiro de 2011
O PRIMEIRO DIA
Num dos textos mais lidos de Søren Keirkegaard, o romance filosófico,“O Diário de um Sedutor”, o narrador-personagem Johannes demonstra como fez para conquistar a doce jovem Cordélia. Claro que as feministas devem odiar esse livro a ponto de queimá-lo. Eu, particularmente e capciosamente, gosto e muito. Refinado, apaixonante e reflexionante.
Numa das interpretações mais dignas deste romance, feita pela professora e romancista mineira Guiomar de Gramont, “ As figuras estéticas em Kierkegaard” indicia a personagem Johannes do romance kierkegaardiano, como uma figura que lança suas 'vítimas' ao infinito, roubando-lhes o centro de tranquilidade que lhes mantêm em estado de ignorância, possibilitando assim, que as mesmas alcancem a individualidade, tornando-se um indivíduo diante de toda as possibilidades que o mundo oferece.
Mas o que isso tem a ver com o primeiro dia do ano de 2011? Johannes conquista Cordélia e depois a abandona. Desespero. Johannes não será o mesmo, marcado pela presença marcante da doce Cordélia. Ela descobre o amargo da paixão, mais agora viverá em paixão, ou seja, a paixão é o que move, e ela será eternamente apaixonada e lançada para o infinito.
A pergunta ainda persiste. E eu me respondo: quero viver apaixonadamente. Quero que 2011 seja apaixonante, que os momentos sejam belas e difíceis conquistas, que cada hora seja como uma Cordélia, doce, difícil e reticente, e que no último segundo eu tenha em minhas mãos e a solte no instante seguinte, para voltar a conquistar a próxima.
Quero poder manter a dupla face Johannes/Cordélia, desejando conquistar insistentemente e por horas desejar ardentemente ser conquistado. Quero ser a doce e amarga ilusão e deixar-me perder na paixão.
Foi um ano estranho, bonito, intenso, vivo, atraente, erótico, amargo, doce, rebuscado,dolorido, momentâneo, profético, não dito........
Amo todos vocês meus queridos amigos e um sim a paixão!
Um ano sexy para todos!
Jadão
1ª Lição do ano que se inicia... para quem a aceitar...
"TUDO PODE DAR CERTO" SIM!!
Os meus: DE ALEGRIA!