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quinta-feira, 3 de junho de 2010

Obsoleta




Ok. Sou obsoleta quando o assunto é a última notícia, o último vídeo que bombou na Internet. Eu não tenho Internet em casa e os meus acessos são restritos e, geralmente, apressados. Portanto, filtro mesmo tudo o que me interessa e eis que navego como quem está em um barquinho em alto-mar. Não vou longe. Não me demoro.
Portanto, a notícia é atrasadíssima, mas me causou estranhamento. E estranhamento é bom para desautomatizarmo-nos e pensarmos nas coisas da vida, né?
Deparo-me com uma foto de uma criança da Indonésia que aos dois anos de idade fumava 40 cigarros por dia!
As notícias que via e lia eram de maio. Mês passado. Obsoletas, portanto, para a "bitola" internética!
Busquei mais sobre crianças fumantes e vi a notícia de Capena, vilarejo italiano, onde na festa de Santo Antônio as crianças são liberadas para fumar. Fumar para Santo Antônio.

Fica o vídeo para os que, como eu, são atrasados e não viram isso bombando Internet a fora mês passado.
Eu, vou ficar aqui pensando. Afinal, é a cultura dos outros. E quanto a isso, devemos sempre pisar em ovos antes de falar qualquer coisa.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Aprendendo a "pegar" ônibus


Recebi, recentemente, uma amiga que mora em Minas Gerais. Retribuição boa de visita. Eu tentei mostrar algumas coisas de Buraco (apelido carinhoso de nossa terrinha) para ela. E estava animada em mostrar que havia coisas legais pras bandas de cá. Porém, falava sempre para ela do quanto era complicada a situação de quem dependia de ônibus coletivo, transporte público, aqui na capital da qualidade de vida. Ela me olhava meio que desacretidando, pois estávamos andando de ônibus no momento desse meu comentário e as coisas lhe pareciam tranquilas.

Ok.
A mocinha não se deu bem com o sol forte. Sentiu dores de cabeça. A comida pesada a nauseou.
Cuidei dela meio que cosntrangida...
Passou.
Ela viajaria para Maceió as 18:30. Hoje. E viajou. Mas, foi por pouco...
Saímos de minha casa, no grande A.F., cinco e vinte da tarde. Diretão para o terminal D.I.A. Vinte pras seis e o terminal lotado assustou a pobre moça...Carregávamos uma mala pesada.
Circulares cidades 2 começaram a chegar e a lotar e a impossibilidade de entrarmos em um ônibus a assustava mais e mais até que ela me perguntou quanto custava um táxi até a rodoviária nova...
No espaço de tempo entre minha resposta e a chegada de mais um ônibus, assisti a sua (da minha visita) transformação: ela me olhou e disse: "Vou entrar nesse ônibus AGORA. Ela era outra. Não falava suave e educadamente, como o de costume. E agiu. Passou por entre as gentes, cotovelou algumas pessoas, subiu, arrancou a mala de minhas mãos e sentou-se.
Eu assustada e carregada por ela também entrei e também sentei (o que nunca acontece).

Rimos. Rimos muito. E chegamos à conclusão de que ela, no último minuto de sua estada aqui, aprendeu a pegar ônibus.
Porque aqui, aprender a pegar ônibus não depende de saber os nomes e os números das linhas e muito menos saber por que pontos elas passam. Pegar ônibus, aqui, é conseguir entrar em qualquer um deles às seis horas da noite e chegar ao destino desejado inteiro.

Concluo a impressão, depois de - na volta de deixá-la na rodoviária - esperar quarenta e cinco minutos no terminal D.I.A. o Circular Shopping's 2 de que, parodiando Euclides da Cunha, o nordestino é antes de tudo um forte.

P.S.: A moça gostou muito da viagem. Ficou feliz, feliz de termos ido à praia...e aprendeu a "pegar" ônibus em Aracaju.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Meu Príncipe

Ok. Ouvi Lulina (O cd Cristalina) na viagem Boquim-Aracaju. Topic cheia, somzão na rádio. Eu, impaciente com a vida, com aqueles filhos-da-mãe dos "topiqueiros" que enchem os carros e a gente fica um tempão em pé para eles encherem o rabo de grana...(a raiva ainda persiste, vocês podem perceber). Achando o mundo uma injustiça só.

Achei o disco engraçadinho. Inusitadas as letras que falam de Et's (sangue de Et, na verdade), de minhocas, de cidra cereser e calcinha cor de rosa no ano-novo, de florezinhas (margarida) e de príncipe encantado. Opa! A letra "Meu príncipe" ressiginificou a viagem!

Meu príncipe
Não vem em cavalo branco
Não tem muito dinheiro
Mas eu o amo mesmo assim
Meu príncipe arruma toda a casa
Prepara minha comida
Enquanto eu tô no botequim

Meu príncipe me dá múltiplos orgasmos
Ai meu príncipe são 13 no total
Ele limpa o banheiro
Eu trabalho o dia inteiro
Ele lava a roupa suja
E eu bebo, bebo, bebo, bebo
Ele briga com as crianças
E eu toco violão
Ele quer discutir a relação
E eu não.


Como pensar uma letra assim se, naquela hora, me pedissem: "pense em letras de música que falam do "feminino", de mulheres", eu responderia: "Essa Mulher", de Joyce ou "Com açúcar, com afeto", de Chico Buarque, ou ainda "Atrás da porta", do mesmo Chico. Ou "Mulheres do Brasil", de Joyce ainda. Ou ainda de Joyce "Outras mulheres". Pensaria na mãe de "Meu guri" (Chico de novo), pensaria muitas outras ainda que listaria aqui eternamente. Mas, "Meu príncipe" coube não apenas para me divertir na viagem, mas para eu pensar, no que é que são as novas relações estabelecidas entre homens e mulheres.
Lulina é Pernambucana. Nordestina. E sempre que falamos em machismo, feminismo, direitos iguais entre homens e mulheres, sempre que falamos contra a homofobia, tem sempre alguém que retruca: Ah, mas nós estamos no Nordeste!". "As coisas aqui demoram a mudar, as mulheres aqui ainda têm seu lugar no tanque, bicha aqui é ridicularizada na rua..."e daí deslancha-se o rozário de idéias pré-concebidas, lugares-comuns (e, diga-se de passagem, de mentiras e mitos e preconceitos, pois isso não acontece só no Nordeste. Esse tipo de argumento, fraco, é típico de quem deseja mesmo só polemizar por polemizar).

Por que motivo prevalece ainda o machismo, se as mulheres invadiram o mercado de trabalho, se elas mesmas são, tantas vezes, que sustentam as famílias?
Por que as mulheres, mesmo as que trabalham fora, cumprem jornadas duplas de trabalho?

Bom, eu escreveria um longo texto sobre isso.
Mas, fica aqui a letra da música. O som da garota não é ruim. Fica a minha descoberta e dica para quem desejar conhecê-la: procurar em http://www.myspace.com/lulina.

Ouço sempre um conselho, de maneira persistente: "A mulher sábia edifica o lar".
E sempre me pergunto: "E o homem sábio, não?".





quarta-feira, 12 de maio de 2010

Hoje estou com o memoriador aberto!



Quando mainha cantava essa para mim, eu achava que eu era Samba Lelê e que eu estava sendo ameaçada de levar lambada!
Se bem que acho que mainha cantava uma versão do tipo: "Samba Lelê tá doente, tá com a cabeça quebrada, Samba Lelê precisava era de umas boas palmadas!"