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sábado, 6 de novembro de 2010

“EU ACHO QUE AMO MEU CACHORRO MAIS DO QUE A TI. NÃO MAIS, MAS DE UMA FORMA DIFERENTE”, DISSE TERESA

Quando estas palavras entraram em meu coração, ainda no florescer de minha adolescência, mal sabia eu que um dia seria tão adepto da cinofilia como o sou agora. E, se a identificação com esta traumatizada personagem do Milan Kundera é-me prolongada por inúmeras outras situações, a maior parte delas de caráter sexual, imagino-me agora traduzindo este dilema para uma situação estritamente canina: os filhotes pretos de minha cachorra Zhang-Ke já têm mais de 45 dias. Amanhã, o primeiro deles sairá de minha casa, em direção a um novo lar, na cidade de Itabuna, Bahia. Talvez eu nunca mais o veja pessoalmente. Talvez ele jamais tenha uma oportunidade de abanar o rabo para mim. E isto não me é triste, não obstante eu sentir saudades de antemão. Sei que ele estará bem cuidado, sei que a nova família gostará muito dele. Sei que!

Estou lendo o “Purgatório” de Dante Alighieri e, nos cantos que já consumi até então, os protagonistas (o próprio autor e o poeta Virgilio) vagaram por três círculos de pecadores capitais, o dos orgulhosos, o dos invejosos e o dos iracundos. Não sei qual será o próximo, mas temo que eu seja lancinado pela culpa decorrente da identificação. A cada novo dia que enfrento na Terra, sentimentos semelhantes ao ciúme me sussurram possibilidades desgostosas aos meus ouvidos. E, por serem desgostosas, eu não gosto delas. Não gosto de ciúme, nunca achei que fosse prova de amor ou qualquer coisa do gênero. Amor se doa por completo, amor se dá sem saber a quem, amor preenche até mesmo quem tachamos por inimigos. Amor é extrínseco e intrínseco. E eu amo até mesmo estes cãezinhos que em breve sairão de minha casa...

Wesley PC>

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

As sereias

Eu gosto muito das sereias.
Em pequena, queria porque queria ver uma. Ia para a beira do rio. Chamava. Esperava. E, certo dia: senti um medo tremendo.
Saí da margem do rio que era o rio de minha infância sem voltar o olho para trás.
Imaginei a figura de Iemanjá gigante, saindo do mar. E fiquei apavorada. E calada, entrei em casa e fui dormir.
Dia desses, chegamos eu e um grupo de amigos à conclusão de que criança quando acha que fez merda, vai dormir.
Eu sempre ia dormir nessas situações, causando, assim, suspeitas seriíssimas...

Ainda hoje gosto das sereias.
Fato.
Elas são animais, que refletem a beleza feminina e, por isso, são belíssimas e têm um canto tão insólito que encanta, apaixona os homens.

Senti medo naquele dia em que fui dormir mais cedo do canto da sereia.

O mar.
O mar é o meu grande mistério e salvador.
As águas, para ser mais clara e verdadeira.