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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Linda não, aquelas tuias

Olha só a caboquinha que baixou no meu sonhar
Linda não, aquelas tuia
Meu sonho foi pras cucuia quando dei fé de olhar.
Bem dizer, o jeito dela era um cristal de flanela de tanto fofo e brilhar
De lindeza bem muitona, de fofura desossada
Beicinho do bago grosso de bicudez encarnada
Um pilãozinho de cintura, dez léguas de formosura de vastidão deleitada
Criaturinha agarroza, festejosa no chegar
Cosquenta pelo cangote, mulecota nos coisar
Com três horas de espio, não dá pro cabra espiar
De tanto perigo afoito, trinta e sete, trinta e oito, os chinelins de pisar
Dois risquin de sobrancelha, os ói azul festejado
Platibandinha de testa, sem franzido ou pinicado
Linda não, aquelas tuia
Dei dois viva de aleluia, nesse sonho iluminado.
Mas repare meu cumpade, Cuma se deu o sonhado
A mãe dela intrometeu-se, de oxente interrogado
Eu só estou, caboquinha, tu essa hora sozinha nesse sonho amatutado
Sois cabocla apetrechada, de padrescíceras virtudes
Não te mete no destroço de viver de sonho e osso com o fulaninho dos grudes
Tu sois a miss lindeira, primeira nata da nata
Baliza tricampeã do estadual da Prata
Sois cabocla zero um, dos CPF tudin
Zero um das bonitezas, rainha das maciezas, sois discípla do pudim
Vai-te embora desse sonho, repara teu atrapalho
Tu podes morrer pisada pelos coturnos do orvalho
Será que tu não enxerga que esse sonho é coisa ruim?
Se teu pai não fizer não nada, dou-te uma surra bem dada, com uma fita de cetim
Acordei mais retesado, do que tora de imbúia
Banhei o rosto vincado, com quatro águas de cuia
Nunca mais sonhei com ela.
Uh... desorderinha dela
Linda não, aquelas tuia.
(Jessier Quirino)

sábado, 4 de dezembro de 2010

O sertão vai virar mar

Aviso a todos que o sertão vai virar mar. Estou ansiosa para fazermos a viagem para o sertão de Canudos. Será uma viagem cheia de significados. Pois será o encerramento de uma disciplina que gosto tanto de fazê-la que estou a cursá-la pela segunda vez! É a disciplina Memória, História e Literatura. E depois de tantos sertões, de Janaína Amado, de Vicentini, Schiavo, etc e tal. E de Euclides da Cunha e de gGimarães Rosa e de Ronaldo com Galiléia e do Antônio Torres com Essa Terra. E depois de Dãolalalão e de Buriti. E depois de tanto encantamento, de tantas contribuições. De babarmos pelo sertão. De nos sentirmos sertanejos e apaixonados. Depois de tudo isso: o sertão. Pisar o sertão de Canudos. Todos juntos. Estou ansiosa e feliz. Será uma experiência bonita. Palpável. Feliz. Sertão. Calor humano. Gentileza. Friozinho a noite. Estrelas no céu. Memória. Os cheiros. Tenho certeza de que vou voltar com os cheiros todos para rememorar depois. Para sempre em mim, em minha memória, para coadunar com Adélia Prado:  "o que a memória ama, fica eterno". Voltar carregada de sertão, assim como vou. carregada dele já. Anunciando que chegaremos com um mar de sertão nos olhos. Sertão infinito, horizontal, sertão de se mergulhar. De cabeça e tudo. Sertão azul de acrílico piscina, como o do Karin e do Marcelo. Sertão dos que viajam porque precisam e voltam porque amam. Ser-tão.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O amor e o sertão

"O sertanejo é antes de tudo um paciente". Essa frase está lá em A hora da estrela, de Clarice Lispector. A minha escritora favorita. Já percebi que o sertão está cada vez mais dentro de mim. E ter relido A hora da estrela para a disciplina Identidade Cultural e ter feito isso estudando o sertão e o sertão de Guimarães de Grande sertão: veredas e de Noites do sertão, me fez desejar estudar a sensualidade e o sertão. Ou o amor e o sertão. Não sei se há muitos estudos sobre. Mas, tmbém não sei se desejo isso para pesquisa. Mas, pensar essas coisas me tem deixado feliz, ultimamente.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Temáticas, das coincidências

O sertão tem entrado cada vez mais em minhas veias. Relendo um texto sobre a novela Dãolalalão, de Guimarães Rosa, fui reler Noites do sertão. Impossível não me apaixonar por Buriti, pela escrita erótica, envolvente, pelos amores daquele livro. Pelas mulheres tão bela, dadivosas, quando porstitutas, conhecedoras dos amores, belas, desreprimidas.

O engraçado é pensar que descobri Alina Paim (que nada tem a ver com esse sertão do qual estou falando) no sertão. Foi numa viagem, quando eu trabalhava na Aperipê, que fizemos para a grota do Angico. Numa escola, vi um trabalho de crianças sobre autores sergipanos.

Foi no sertão que conheci Alina e que comecei a me interessar por memória.
Enfim, tenho me deixado levar...Feliz com descobertas e redescobertas...