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domingo, 17 de julho de 2011

SERÁ QUE EU VOU LAMBER O CU DE ALGUÉM ALGUM DIA?!

Não consegui deixar de pensar nisso vendo “Homens de Israel” (2009, de Michael Lucas) na madrugada de hoje. Não obstante o filme ser tão péssimo que chega a beirar um não-filme, algo na prática recorrente do “cunete” me excitou: quando se está apaixonado ou excitado, os nojos cotidianos parecem tão fúteis (risos)... Minha virgindade foi posta em xeque durante a exibição, juro!

Por outro lado, minhas concepções de prática sexual tornam-se cada dia mais e mais idílicas, mais dignas de “princesinhas apaixonadas no aguardo do homem prometido”: será que um dia terei coragem de fazer o que fazem ali? Se não fosse um filme, talvez eu não odiasse tanto, mas, do jeito como me tentaram vender a pseudo-militância do “primeiro filme pornográfico homossexual com atores 100% judeus: humpf!

Wesley PC>

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Cantiga do desencontro

Xilogravura de Yole Travassos


Ando agora, ando agora

Pelas ruas

Ansiando tua imagem encontrar

Teus olhinhos, teus olhinhos rutilantes

Que anunciam, que anunciam

Meu penar


Meu menino, meu menino,

Não te escondas.

Tu dirias que te procuraria assim?

Meu menino, meu menino,

Não te desencontres...

Não te escondas, não te escondas

Mais de mim...

domingo, 26 de dezembro de 2010

OLHE PARA A IMAGEM ACIMA, PENSE NO QUE ELA REPRESENTA PARA TI E SOMENTE DEPOIS LEIA E RESPONDA AO APELO ABAIXO:

Olhaste? Percebeste que a moçoila parada em frente ao ruminante que pasta próximo a um posto de gasolina está a ler “As Ilusões Perdidas”, de Honoré de Balzac? Tu gostas de mim? Tu sentes que o mundo atual vai de mal a pior? Tu já reivindicaste algo na vida? Tu gozas diante de obras-primas? Tu sabes que falar um idioma é ter poder? Tu amas? Tu permites que eu te ame? Tu sentes que Deus, Pâncreas e Organoléptico são palavras que possuem pelo menos uma letra em comum? Se tu respondeste SIM a pelo menos uma das questões, tu deves me telefonar agora e me convidar para rever “Filme Socialismo” (2010, de Jean-Luc Godard) ao teu lado. Sabes o que é um filme contemporâneo perfeito? Se não, saberás em breve. Cheiro,

Wesley PC>

sábado, 4 de dezembro de 2010

O sertão vai virar mar

Aviso a todos que o sertão vai virar mar. Estou ansiosa para fazermos a viagem para o sertão de Canudos. Será uma viagem cheia de significados. Pois será o encerramento de uma disciplina que gosto tanto de fazê-la que estou a cursá-la pela segunda vez! É a disciplina Memória, História e Literatura. E depois de tantos sertões, de Janaína Amado, de Vicentini, Schiavo, etc e tal. E de Euclides da Cunha e de gGimarães Rosa e de Ronaldo com Galiléia e do Antônio Torres com Essa Terra. E depois de Dãolalalão e de Buriti. E depois de tanto encantamento, de tantas contribuições. De babarmos pelo sertão. De nos sentirmos sertanejos e apaixonados. Depois de tudo isso: o sertão. Pisar o sertão de Canudos. Todos juntos. Estou ansiosa e feliz. Será uma experiência bonita. Palpável. Feliz. Sertão. Calor humano. Gentileza. Friozinho a noite. Estrelas no céu. Memória. Os cheiros. Tenho certeza de que vou voltar com os cheiros todos para rememorar depois. Para sempre em mim, em minha memória, para coadunar com Adélia Prado:  "o que a memória ama, fica eterno". Voltar carregada de sertão, assim como vou. carregada dele já. Anunciando que chegaremos com um mar de sertão nos olhos. Sertão infinito, horizontal, sertão de se mergulhar. De cabeça e tudo. Sertão azul de acrílico piscina, como o do Karin e do Marcelo. Sertão dos que viajam porque precisam e voltam porque amam. Ser-tão.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Saber


Sabia que se o pegasse naquela esquina o partiria em dois
Cortou caminho
Era cedo para polemizar população tão pequena
Casou-se com linda mulher, fez-lhe filhos grandes, bonitos
Mas, nunca deixou de saber que se encontrasse com aquele na esquina,
O partiria em dois.
Porém, o que cortava sempre era mesmo o caminho.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Marcela ou As duas amantes


Poderia ter dado para a Martha ou para Júlia.
Poderia ter dado para qualquer outra ali da rua, da escola, das aulas de música. Tanto olhava as meninas com os baixos entre as pernas, nas aulas, que se perdia entre as partituras e os pensamentos.
Imaginava o baixo como o amante daquela que era a menina mais bonita da turma e a mais fútil também. Loura e distante. Com amantes mais velhos, todos sabiam naquele conservatório.
Era isso: ela decidira só olhar de longe, vez ou outra, as mulheres e seus amantes. Decidira ficar pacata, tornar-se invisível. Temia tocar no corpo de uma outra mulher. Sabia que ela mesma era para ela um segredo e, portanto, não suportaria o segredo de mais ninguém.
A música e o cigarro eram a sua fuga. Gostava de ver a fumaça distanciar-se no ar. E aprendera a fazer bolinhas e alguns outros desenhos com a fumaça.
E foi com uma dessas baforadas, no intervalo de suas aulas, que conheceu Marcela.
Conversaram. Tomaram coca-cola juntas e dividiram cigarro e fumaças.
Riam. Trocavam confidências. Leia-se: Marcela falava de si, ainda que tentasse incansavelmente arrancar-lhe os mistérios. A outra, ouvia, calada que era, a dona de um segredo.
Marcela falava de tudo. De música e de amores. De tristezas passadas e da fé no futuro. Mas, parecia não ter força o suficiente. Porém, sorria como que iluminando o rosto da amiga.
E então ela pensava: não posso desejar Marcela.
Aprendera, mesmo sem ter sido educada nos moldes católicos, a repreender muito do que sentia. Era a sua forma de guardar seu segredo.

As aulas terminaram para ela e continuariam para Marcela.
Houve um concerto para a festa de formatura. Bebidas, cheiros, cores. E a despedida. Despediu-se de todas as outras com o olhar. A loura estava magnífica e nem olhara para ela.
De Marcela, despediu-se com um abraço e um cigarro dividido do lado de fora da festa.
Saiu mais cedo e nunca mais vira Marcela.

Anos se passaram. Vivia de música, agora como professora e morava num minúsculo apartamento no centro de uma grande cidade. E,  numa madrugada insone, ligou a televisão e afastou-se da sala.
Ouviu uma voz singular. Suave, cristalina…clara, clara e reconhecível… Voltou para a sala e vira Marcela.
Marcela estava magra como sempre e com um sorriso que iluminava, como sempre.
Ela olhou fixamente para a TV. Não acreditava que Marcela terminaria a música. Marcela demonstrava a mesma falta de força de sempre. Não conseguiria.
E sentou-se, inquieta.
Marcela foi tomando força, foi cantando cada vez mais firme. O piano, suave, gostoso de se ouvir. Marcela cantava forte, bonito, iluminado.
Então, ela abriu suas pernas, encontrou o seu sexo e ao fim da música, gozou com Marcela.

Poderia ter dado para Martha ou para Júlia. Para qualquer uma ali da rua, da escola, das aulas de música. Mas, deu para uma que ela não sabe ainda quem é. Conheceram-se depois que ela vira Marcela na TV. Conheceram-se durante um intervalo de aula, entre baforadas de cigarros e coca-cola. Esse rosto também ilumina quando sorri.

E agora pensa que, sem querer, Marcela lhe desvendara o segredo de uma vida quase inteira.
 
P.S.: A gravura é de João Werner e se chama "As duas amantes".

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Cerejas, meu amor

 Momento Renata Pallottini?


Cerejas, meu amor,
mas no teu corpo.
Que elas te percorram
por redondas.

E rolem para onde
possa eu buscá-las
lá onde a vida começa
e onde acaba

e onde todas as fomes
se concentram
no vermelho da carne
das cerejas...

Sem você...

 Momento Ana Cristina Cesar?

Sem você bem que sou lago, montanha.
Penso num homem chamado Herberto.
Me deito a fumar debaixo da janela.
Respiro com vertigem. Rolo no colchão.
E sem bravata, coração, aumenta o preço.

domingo, 12 de setembro de 2010

(IM)PERMISSIVIDADE x OBSESSÃO EM WILLIAM WYLER, O PEDRO ALMODÓVAR DE OUTRORA!

Costumo comentar e defender a tese de que William Wyler pôs em voga um tema central da obra futura de Pedro Almodóvar: a obsessão amorosa por parte de seus protagonistas. Se o irreverente diretor espanhol merece os elogios geniais que lhe aplicam, isto deve-se muito à sua capacidade de conciliar referências múltiplas e metalinguagem aos seus roteiros embasados sobre alguém que ama alguém e faz qualquer coisa para estar perto deste alguém, mesmo que isto não seja permitido. E esta é a premissa básica de muitos dos clássicos filmes de William Wyler!

Percebi isto em duas obras bastante distintas no tempo do imponente diretor alsaciano, posteriormente naturalizado estadunidense: “O Morro dos Ventos Uivantes” (1939) e “O Colecionador” (1965), ambos baseados em romances famosos de Emily Brontë e John Fowles, respectivamente. No primeiro, um pária esnoba do amor tardio de uma jovem burguesa, mimada e traída. No segundo, um misantropo seqüestra a rapariga por quem se apaixona perdidamente. Os finais são trágicos em ambos os filmes, conforme não é difícil de imaginar e, para além disso, conformam a minha impressão: são filmes sobre obsessão, como também o são os maravilhosos “Jezebel” (1938), “O Galante Aventureiro/ A Última Fronteira” (1940), “Pérfida” (1941), “A Princesa e o Plebeu” (1953), “Da Terra Nascem os Homens” (1958), “Ben-Hur” (1959) e “Infâmia” (1961), para ficar em apenas alguns que vi. E é sobre este último que eu gostaria de antecipar algumas palavras, ainda em progresso e em processo no campo pessoal: “Infâmia” é uma dolorosa estória de frustração!

No filme, Shirley MacLaine e Audrey Hepburn interpretam duas professoras primárias que se conheceram na faculdade e resolveram fundar uma escola para meninas juntas. Uma delas está noiva e a outra é uma solteirona. Uma das crianças ricas é demasiado mimada e, no afã por se livrar de uma punição por mentir descaradamente, inventa (ou melhor, hiper-interpreta) que as duas professoras compartilham uma forma “inatural” de amor. A polêmica é lançada, a escola é fechada e as conseqüências são irreversíveis. Ao final, eu e Jadson, localizados em platéias individuais distintas, estávamos ambos com um nó na garganta. E, no meu caso, um agravante subjetivo me perturbava: a identificação contemporânea.

A fim de não comprometer o baque de quem ainda verá o filme, um leve redirecionamento de assunto: no local onde trabalho, há um menino bruto que me causa paixonite. Como sói acontecer neste tipo de situação, grito aos quatro ventos que sou obcecado por ele. Algumas meninas traiçoeiras descobriram que meus olhos brilham mais forte quando estou ao lado do moço e começaram a zombar dele, a escarnecer de sua discrição. Daí, ele veio reclamar comigo, dizendo que meus cuidados estão fazendo com que suspeitem de sua sexualidade e que eu deveria continuar quieto no meu canto, visto que jamais seremos amigos, que ele não tem a menor intenção de manter qualquer afinidade comigo, o que não deixa de ser uma falácia injustamente defensiva, visto que temos muito em comum fora daquelas paredes burocráticas. Assim sendo, eu supliquei para que ele visse o referido filme. Ainda aguardo a resposta...

Wesley PC>

sábado, 4 de setembro de 2010

Guiados pelo amor


Fora uma noite repleta de desvios, dor de garganta e maus pensamentos. Saber que o dia amanhece nem é mais tão excitante, mas quando ele amanhece trás sempre um redescobrir, e isso faz do dia uma coisa muito especial mesmo que a noite caia, porque a noite cai, não nasce como o dia, ele continuará sendo até o seu final uma coisa especial.

Acordei depois dessa noite, liguei a TV achando que a distração era um remédio assim como fora o diclofenaco. Passava um filme: A Vila. Um filme que já havia visto há um certo tempo. Dele só havia uma lembrança, a de uma vila em que pessoas decidiram se esconder do mal do mundo mentindo para os jovens sobre demônios na floresta, para protegê-los da “fronteira”.

Há uma personagem nesse filme, Ivy. Como pude esquecer dela? Uma menina cega e aparentemente frágil. Se revelou a mais corajosa e destemida para salvar a vida daquele que era o amor de sua vida. Quando atravessa a fronteira, encontra um rapaz meio abobalhado, um guardinha florestal que mesmo indeciso e inseguro foi em busca dos remédios que Ivy procurava.

Como pude me esquecer dessas pessoas? E do “amor que move o mundo”?Não, não foi o melhor fime que já vi, mas foi a melhor coisa que me aconteceu nessa primeira hora da manhã em que estive acordado.

Um brinde a essa manhã de sábado.