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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Cartinha de amor



O teu cheiro

É o único que eu suporto

Sei que você também me suporta

Porque assim é o amor

Um jogo de tolerância,

Mais uma relação de poder.

Não é?

O que é tudo isso, então?

Sabe, agora eu te imagino de bermuda.

A imagem é você se despindo

Como quem abre um presente

De aniversário.

Hoje não é 7 de outubro, mas a imaginação

É poderosa, meu bem.

Hoje é meu aniversário e isso dentro da bermuda

É meu presente.

Eu desejo, eu desejo... te soprar a vela.

Você sabe como se faz, não é?

Você sabe mais ou menos como eu gosto.

Porque o que eu gosto verdadeiramente é coisa

Tão incompreensível, meu amor.

Ah, louca existência... Ah, música ininteligível...

Meu amor, é assim, mais ou menos, que eu sou.

Rio de um modo tão infantil quando penso que

Você é minha festa inteira, minha bebedeira

Minha breguice colossal.

Amor da minha vida,

Sou tua maldição.

Para alguns escolhidos o amor não passa disso, meu bem.

Foste amaldiçoado.

Maldito seja o acaso. Maldita seja aquela passarela da Treze.

Maldito seja aquele meu ex-namorado que me apresentou a você.

Maldito seja tudo isso, meu amor,

que te condenou ao desespero e à infelicidade

Até o fim dos seus dias.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Cantiga do desencontro

Xilogravura de Yole Travassos


Ando agora, ando agora

Pelas ruas

Ansiando tua imagem encontrar

Teus olhinhos, teus olhinhos rutilantes

Que anunciam, que anunciam

Meu penar


Meu menino, meu menino,

Não te escondas.

Tu dirias que te procuraria assim?

Meu menino, meu menino,

Não te desencontres...

Não te escondas, não te escondas

Mais de mim...

sábado, 25 de dezembro de 2010

ALHEIO A TODOS AQUELES FOGOS DE ARTIFÍCIO...

Para onde foram todos os blogueiros?! Desde ontem que eu busco uma postagem amiga e/ou amargurada para dialogar, mas os grafômanos compulsivos que seguimos parece que se aposentaram provisoriamente neste Natal. Somente eu soçobro numa solidão escrita, pelo jeito, solidão esta que reluto em associar a algo negativo: não me sinto abandonado, mas, por causa da disfuncionalidade atroz que cerca a minha família desde que me entendo por gente, sinto que devo protegê-los, tornando ostensiva a minha presença impotente. Eu estou aqui: eles vêem isso e, de alguma forma, me agradecem, mas não podem mudar o que eles são. "É a minha natureza", diria o escorpião, antes de ferir letalmente a rã que lhe deu carona no rio... E, dentre todas as cenas de filme, veio-me à cabeça agora este melancólico e metonímico instante de brilhantismo fotográfico, em que o talento de Rodrigo Prieto extravasa a angústia iracunda que toma o coração de Ennis Del Mar, incapaz de assumir socialmente o amor que sente por outro homem. Eu sinto amor por outro homem! E, neste ano, este me deixou confessar isto intimamente. Mas nou sou um homem íntimo, sou um rapaz público. E a publicidade fere, mas tem dinheiro para comprar bandagens. Meu peito dói, mas, por dentro, eu estou feliz: amo! E que se fodam as pôrras dos fogos de artifício!

Wesley PC>

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Descrição do fogo II

Sugara-lhe a última gota de mel. Desvalida, sem cor, molemente como que sem vida ficou ela aberta em flor, estranhamente feliz. O beija-flor voou, satisfeito, feliz também, com gosto de cor e de mel num bico que por isso é quase sagrado. A flor sabia que de alguma maneira, ainda que ficando, ia com ele.