Mostrando postagens com marcador divergências ideológicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador divergências ideológicas. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de agosto de 2010

GENTE GRANDE PENSA MAIS?!

Já deve ser de conhecimento geral que eu estou envolvido com aquelas sessões de filmes patrocinados pelo COPRE/UFS (Coordenação de Promoções Culturais e Recreativas da Universidade Federal de Sergipe) às quintas-feiras. Basicamente, meu papel (por enquanto) se resume a entregar uma lista de filmes, que será revista pelo Pró-Reitor de Graduação e, se aprovada, exibida. Dentre os filmes programados para os meses vindouros, organizei uma verdadeira salada de gêneros, de maneira que fui visitado por uma funcionária do COPRE na semana passada:

-“Wesley, estávamos aqui a verificar os filmes que tu enviaste para o mês que vem e percebemos que DUMBO é um filme infantil.
- Sim, e o que é que tem isso?
- Tu vais passar um filme infantil mesmo?!
- E o que é que tem?!
- (...)
- Se serve de consolo, avisa a quem quiser contestar que este filme, na verdade, tem um contexto sob-reptício sobre crianças usuárias de drogas.
- É?!
- É. Na verdade. É um tema secundário, mas rende um bom discurso universitário”.


A conversa seguiu adiante, mas o que eu queria abordar inicialmente já está contido no diálogo acima: queriam boicotar uma das minhas sugestões não por que o filme é demasiado comercial (Disney) ou coisas do gênero, mas... Porque ele é infantil! Infantil? Meu Deus, o que quer dizer este termo hoje em dia?! E, pior: como pode que alguém não conheça “Dumbo” (1941, de Ben Sharpsteen), que não reconheça o quanto este filme é genial enquanto forma e discurso, que não admire todo o cabedal nostálgico a ele atrelado, que não conheça o seu subtexto psicodélico? Absurdo! Por essas e outras é que, com todas as concessões apolíticas que impinjo a mim mesmo enquanto subsumido a este projeto alheio, eu insisto em participar dele, em alimentá-lo materialmente: nem que seja no plano da mera exibição, deve funcionar para alguma coisa!

Wesley PC>

segunda-feira, 31 de maio de 2010

(DIS)FUNÇÃO EDUCACIONAL QUE ENTRA PELOS OUVIDOS E SAI PELA IDEOLOGIA...

Apesar de embelezar algumas músicas tristes do australiano Nick Cave com seu choro performático indidental, a estrela ‘pop’ igualmente australiana Kylie Minogue é conhecida mesmo por sua euforia dançante. Apesar de sempre ouvir falar sobre ela, nunca tinha me dedicado a ouvi-la cantarolando seus refrõezinhos grudentos. Este “nunca” acabou na manhã de hoje, quando “Fever” (2002) foi executado em meu aparelho de som. Com exceção de duas ou três faixas, achei o CD muito chato, mas a voz fofa da cantora e o bate-escala gracioso dos acordes sustentaculares à sua voz me fizeram rodopiar pela sala. E foi aí que eu comecei a pensar que, mais importante do que comparar se a Kylie Minogue é pior despejando seus gritinhos enfeitados ou gemendo mortalmente nas maravilhosas litanias românticas de Nick Cave and the Bad Seeds, é constatar que meu arcabouço musical é predominantemente anglofílico. E isto é um problema crasso!

Ao contrário de Jadson ou de Ninalcira, que consomem preciosidades do cancioneiro tupiniquim desde que eram pequenos mancebos apaixonados, eu fui inoculado na mesma idade com o que chamam de “música alternativa internacional”, de maneira que fui preparada para enfrentar o mundo globalizado da cultura de massa, mas permaneço ainda frágil e deslumbrado diante da arte singular deste País em que habito. Neste fim de semana, por exemplo, assisti a três preciosos documentários sobre diferentes gêneros musicais brasileiros e, na manhã de hoje, conheci um artista fabuloso (em mais de um sentido) chamado Edy Star, extremamente homossexual e amigo íntimo dos falecidos (e eternos) Raul Seixas e Sérgio Sampaio. Genial!

Mas, enquanto toda esta explosão sadia de brasilidade me tomava, mais e mais canções anglofílicas eram ouvidas, desejadas ou elogiadas por mim... Kylie Minogue à beira da morte incluída (vide foto). Sou um filho deste pós-modernismo atroz, teve razão Jadson ao dizer. Que eu sobreviva ao som da versão do Edy Star para “Esses Moços”, do Lupicínio Rodrigues:

“Esses moços pobres moços
Ah! Se soubessem o que eu sei
Não amavam..
Não passavam aquilo que eu já passei
Por meus olhos, por meus sonhos
Por meu sangue tudo enfim
É que eu peço a esses moços
Que acreditem em mim, se eles julgam
Que a um lindo futuro só o amor nesta vida conduz
Saibam que deixam o céu por ser escuro
E vão ao inferno à procura de luz
Eu também tive nos meus belos dias
Essa mania que muito me custou
E só as mágoas eu trago hoje em dia
E essas rugas o amor me deixou!”


Se eu tivesse que fazer tudo de novo, faria tudo igual!


Wesley PC>

sábado, 29 de maio de 2010

AO QUE EU PERGUNTO: COMO CRITICAR ALGO SEM ENFIAR O DEDO EM ALGUM SEMELHANTE?

É complicado divergir ideologicamente. Mas, nem por isso, é recomendável esconder-se na concessão sem medidas, praticando uma polidez eterna, de caráter diplomático, que apenas contribui para que divergências desnecessárias entre pessoas que lutam por uma mesma causa sejam rigorosamente disseminadas pelos órgãos dominantes de controle midiático, supondo que se consiga perceber a realidade dos conflitos assim, pelo viés maniqueísta dos esquemas utópicos. Como defender uma causa sem acusar alguém de estar no extremo desta mesma causa e confundir o que deveria ser um irmão com um "inimigo"? Como?

Pergunto isso porque, neste sábado semi-chuvoso, entrei em contato com duas obras muito intensas em suas contradições e pendengas morais: o livro "A Miséria da Filosofia", de Karl Marx, contra alguns supostos dizeres imediatistas do líder anarquista Pierre-Joseph Proudhon; e o filme "Botinada - A Origem do Punk no Brasil" (2006), dirigido pelo deslumbrado Gastão Moreira, mas que me muito me irritou inicialmente por uma incursão enciclopédia do tema através de entrevistas nostalgicamente unilaterais. Por sorte, do meio para o final do filme, a reflexão comparece, nem que seja por vias involuntárias. E, como deveria ser, me deixou pensativo: como defender uma causa sem acusar alguém precipitadamente?

A imagem desta campanha sensacionalista (e funcional,em minha opinião) do PETA, importante órgão de defesa dos direitos animais, me ajuda a auto-questionar: como?