sexta-feira, 2 de julho de 2010

Intensidade. Era apenas isso, tudo o que eu sabia fazer. MORA FUENTES, O cordeiro da casa.
"Alguns doutos em ciências descobriram que quanto maior o intestino, mais místico o indivíduo. E quem mais místico que Deus? Grande Intestino, orai por nós". Hilda Hilst

Fresquinha


No msn:

- Eu canso de muita densidade, de muita incomunicabilidade, às vezes.
- risos
-vc ainda está aí?
-porque seria engraçado eu falando pro vento no msn sobre incomunicabilidade...
- kkkkkkkkkkk seria metalinguístico demais

E foi.

Diálogos: Eu e Tiago!
Cenário: os dois off line no msn.

Comunicação total.

Contando ovelhas – ou insônia danada, se vocês quiserem.



Ouço uma música bonita. Simples. Cantada em outra língua. Fala de amor? Não sei. A melodia me faz quase fechar os olhos e voar daqui. Para onde?
São ovelhas que conto para dormir. Ponho chapéu, laços, botas, pinto-as a cada uma de uma cor. Dou vida a essas minhas ovelhinhas. Serelepes algumas. Outras gordas, nem pulam. Apenas fazem méééééé e se mexem, ousadas, robustas. Gostosas, até. Gordura é sinal de formosura, meu bem! Pula, ovelhinha, pula! Não posso empacar no cem. Quero ir até mil, ouviu fofinha?
Fofinha é o caralho! Não vou desmanchar meu vestido assim pulando por causa de uma louca insone. Vou ficar aqui. Não me arrisco em cerca qualquer.
Volto do cem mesmo. Essa não pula nem a pau. Encontro ovelhas legais. Uma que viu um E.T. tem os olhos esbugalhados e parece doidona, tadinha. Feliz? Marijuana? Ou E.T. mesmo? Eu vi a luz. Era E.T., minha gente. Ela tem até a lã bagunçada, arrepiada, sei lá. Não, não é punk essa ovelha. A outra sim. Essa viu mesmo extraterrestre. E, por isso, também não quer pular, a desgracida.
Assim o sono não vem nunca!
Uma é gostosa demais par pular. A outra, é maluca, meu Deus!
Imagino que vou me deparar com uma ilustração do kama sutra quando chegar a ovelha de número 69.
Não. Mas, confesso que estava ansiosa. Mas, essa pulou rapidinho. Era bem normalzinha a de número 69... Opa! Pulou a cerca mesmo, MESMO! Vejo-a, a de número 69, do outro lado. Tinha uma cartola na cabeça e agora, agora ela está na posição que supus. Mas, não é do carneirinho a lingüinha ilustrativa. É de um sapo! Verde! Grande Gordo sapo de língua...todos sabem bem como é que é a língua dos sapos. Eles a lançam longe em busca de mosquitos, de moscas. E a simples ovelhinha soube bem me enganar e distrair! Essa foi a melhor pulada de cerca que uma ovelha poderia pular nas minhas insônias! Sapos são sapos com suas línguas e não são príncipes não. Danada!
Já pulei cem ovelhas. Cem não, noventa e nove. Noventa e nove não, noventa e oito. Por conta da gostosa e a doidona, né? A do 69 pulou sim e pulou feliz da vida ao encontrar um sapo de firme língua (ambígua).
De todos os tipos. As ovelhas. Quase todas as noites. As que não tomo diazepan. Com paz. Bonito nome diazepínico. Compaz.
Voltei as noventa e oito. Sempre assim: primeiro, cem da direita para a esquerda. Depois, voltam da esquerda para a direita. 1, 2, 3, 4...100. Então: 100, 99, 98...3, 2, 1.
Encontro cada ovelha nesses descaminhos, que só eu sei! Mas, agora, escuto uma música bonita. Simples. Cantada em outra língua. Fala de amor? Não sei. A melodia me faz quase fechar os olhos e voar daqui. Para onde?
Os olhos pesados, pesados. É uma ovelha. Com violão. Country é o que ela toca.
Voar, voar. Cadê a do E.T.? Meu Deus. Voar para onde?????????
                                                                                             


  1. Porque muitas vezes quando as pessoas falam com as pessoas, quando pessoas escrevem, quando pessoas se comunicam: sinto que não há. É como se se falasse grego na China. Serão os tempos? Engraçado isso de um falar uma coisa o outro responder com outra totalmente diferente e nada a ver. É bonitinha a estranheza. Engraçada a distonia. E o nada também é, né? Inda bem que há algumas pessoas. Bem poucas. E a vastidão. Isso de falar para ninguém. Tão velho como velha é a descompreensão. Garrafas para o mar. Sinais. Desconstrução. Muros caídos. Falas. Muitas. A Babel era pós-moderna? Riso solto agora no momento da escrita. Rio às pampas não agora, normalmente. Até chorar, é um pulo, como nem sempre acontece. Especialistas. Categorias. Marcadores. Desconexo é bom. Des-preso (soltura?) também. Correr feito rio em curso: dis-curso. Percorrer como em corpo amado (mesmo que só naquela hora): erótico. E o entendimento inaudível é porque é indizível?
  2. Queria um pouquinho como antes: ir na casa de alguém, descompromissadamente falar oi e ouvir oi, perguntar o que é que há e sabê-lo. Mas, tô aqui também para falar oi e escutar era sábado e quando eu perguntar o que é que há ouvir dois e dois são noventa menos dez. Amém.
  3. Esse é um número perfeito. Não se diz nem se ouve. Silêncio. Silêncio. Silêncios gozosos. Aleluia.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

CANSAÇO E TRISTEZA SÃO SENTIMENTOS DISTINTOS?

Tive o prazer de estar o lado de meu amigo Jadson na noite de terça-feira, dia de São Pedro, quando este se lamentava por ter novamente que trabalhar no dia seguinte, depois de ter vivenciado uma semana de descanso e/ou diversão. Graças a uma impressionante e justificada comunhão de pensamentos e emoções, no exato momento em que Jadson difundia esta lamentação, eu pensava em um tormento bastante similar: estava com medo de voltar ao trabalho no dia seguinte, não somente por causa da pressão reclamante das pessoas que atendo, de minha suposta atrofia empregatícia decorrente da doença que me afligiu até recentemente ou de qualquer outro problema obviamente perceptível, mas também por causa de um tormento que já se tronou clicheroso em termos wesleianos: trabalho com um menino que é bonito e bruto. E isto é complicado, até mesmo para não-mim!

Juro, de coração, que, enquanto Jadson proferia suas palavras enfastiadas, eu temia o dia seguinte, eu tremia o quão prejudicial para meu bem-estar psicológico seria reencontrar novamente aquele moço que se deu ao trabalho de escrever cinco mensagens de celular para mim, dizendo que “deveria ter cortado esse chamego [que eu direciono passionalmente a ele] desde o começo”. Sentia medo. Por sorte, na quarta-feira, não houve nada de insuportável. Mas depois de toda quarta-feira, há sempre uma quinta. E, talvez pior: depois da quinta-feira, há uma sexta. E hoje já é sexta. E eu acabei de fazer cocô ao com de uma de minhas canções favoritas de ‘trip hop’, que, por um tormentoso joguete do destino, é precisamente a faixa de abertura de um dos seriados de TV preferidos do mesmo, ao qual tive o prazer de assistir pela primeira vez há alguns minutos, graças a um DVD que ele me emprestou... Havia a letra dele no DVD, haviam diálogos semelhantes ao que travamos, havia e há... E é isto o que me preocupa!

Ao chegar do trabalho, anteontem, adormeci enquanto ouvia música, sendo que não eram sequer 23h. Estava cansado, mas é como se eu estivesse triste. Hoje, são quase 2h de uma madrugada. Terei que acordar daqui a pouco, novamente para ir ao trabalho. É como se eu estive cansado...

E, como não poderia deixar de ser, Massive Attack é a trilha sonora do dia:

"Night, night of matter
Black flowers blossom
Fearless on my pray
Black flowers blossom
Fearless on my pray
Teardrop on the fire
Fearless on my pray"


Wesley PC>

A velhice - seria um comentário, pois que sem mais: virou postagem!



Antes de tudo: também eu estava afastada de escrever aqui, um lugar que também eu aprendi a gostar. Estive mergulhada em livros por conta do mestrado e aproveitando o feriado-quase-férias para dormir também até bem mais tarde.
Li o texto de Jadito e comecei a comentá-lo. Decidi postar porque no comentáio não rola de colocar foto e eu queria ilustrar o texto com uma foto (ô, mania) e também lá não tem a opção de colocar nome de livro em itálico, colocar corezinhas (e hoje estou fresquinha, fresquinha). E também queria motivos para escrever aqui. Andava ressabiada...
Enfim, abaixo o texto-comentário:

"A velhice é o meu tema (falo tema que estudo no mestrado, no livro da Alina Paim, a memória e a velhice de Teodoro, personagem de A sétima vez). Assim como a morte muito me interessa, mas ainda não tive impulso (leia-se: coragem) de estudá-la. Adoro Teodoro, o personagem da Alina Paim porque ele tem 67 anos e nem por isso deixa de viver e de lutar pelo que acredita defensável: falar na época da Ditadura Militar brasileira. Adoro a Hilé, da Hilda Hilst que também está velha. Gosto da Olímpia, personagem de Adélia Prado (Quero minha mãe) porque ela também tem mais de 60 e o livro é foda e ela busca na memória a vida dela toda e a vida dela no presente não deixa de ser interessante porque ela tem mais de 60. Adoro todo o A via crucis do corpo, da Clarice porque traz muitos personagens velhos. A velhinha que arde, que se masturba. A outra que se perde no Maracanã, masque se perde mesmo é na vida (essa de outro livro de contos que não o A via crucis...). Um dos livros "teóricos" que mais me encantou foi o Memória e sociedade - lembranças de velhos, da Eclea Bosi. Os filmes como Umberto D, como aquele Hamaca Paraguaya (que vimos juntos) e outros tantos que tocam nesse tema me encantam. Me encantam e me fazem pensar.
E penso nas coisas que você escreveu e que fazem todo sentido para mim.
E lendo agora Matéria e Memória e A memória, a história e o esquecimento: tudo isso faz muito sentido para mim, sim! Sentido e significado.
Também tenho a sensação de intensidade guardada na pele, na boca, em mim. E tenho pensado que isso da eterna juventude, de enxergarmos a potência só na juventude,  as possibilidades do sexo só na juventude é mais uma construção, assim como o é a sexualidade, etc.
Lembro-me, agora, para fechar, do que propôs Hilda Hilst às escritoras: montar um bordel geriátrico! Ela já imaginava Lygia Fagundes Teles de luvas sete oitavos, no caixa a receber a grana...
Lembra-se do "Teje presa", da Hildinha?
Envelhecer faz parte.
E o nosso velho Bukowski?
E o nosso velho e erótico Carlos Drumond de Andrade?
Fecho, de verdade, com um poema dele:

Amor e seu tempo

Amor é privilégio de maduros
Estendidos na mais estreita cama,
Que se torna a mais larga e mais relvosa,
Roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
O prêmio subterrâneo e coruscante,
Leitura de relâmpago cifrado,
Que, decifrado, nada mais existe
Valendo a pena e o preço do terrestre,
Salvo o minuto de ouro no relógio
Minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. amor começa tarde.