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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sobre os micos

O que me assustou hoje não foi o fato de mais de dez micos descerem da árvore para pegar as bananas que estavam em nossas mãos, juro.
O medo maior foi que um deles apalpou a minha bunda! Senti medo de que ele me mordesse sim. Mas, logo pecebi que eles não eram muito bons uns com os outros, pois vi alguns se estapearem para ficar com a banana, mas com a gente eles eram cordiais: um deles olhava para Wesley quase a falar: "Cara, tu pode comprar bananas aí fora da UFS e para a gente é mais difícil, velho!".

Enfim, depois entendi que estava tudo certo e calmo antes de eu chegar, que eu estava meio Jane ou meio a filha da Chiquita bacana....Seja como for: foi lindo. Os micos são lindos, têm uma expressão ímpar e comem bananas de um jeito todo deles, singular.
E tinha um miquinho pequerrucho, saliente, danadinho que me cativou deveras. Acho que ele quando crescer, vai aproveitar, como um de seus companheiros, não só para comer bananas dos humanos, como também para passar a mão na bunda de quem lhe aprouver!

domingo, 1 de agosto de 2010

Reencontro feliz!

Talvez eu esteja adiantada, pois ainda estou em Salvador. A noite ainda vou sair. Mas, já estou com muita vontade de falar tudo o que me aconteceu aqui, de como foi o Seminário, da sensação de caminhar muito em cidade que não é a nossa, das idéias que passam pela cabeça com os nomes dos ônibus que tomamos para ir para os lugares, etc., etc.
Sem falar que a saudade de meus amigos já está a me consumir os cabelos da cabeça.
Mas, aqui me aconteceu algo muito bom. Reencontrei um grande amigo com o qual perdi contado há mais de dois anos.
Estávamos os dois no Seminário. Eu estava nas cadeiras da frente do teatro e vi, por um telão, ele fazer uma pergunta para as pessoas de uma mesa que acabávamos de assistir. Reconheci. Mas, antes, me esforcei. E pensava: "Meu Deus, tenho a sensação de que essa pessoa que acabou de falar parece-se com alguém que me é muito querido, mas quem?".
Quando, enfim, lembrei: fui tomada de alegria imensa.
Nos encontramos ho hall do teatro e ficamos perto nos outros dias um do outro.
Vim ficar com ele na residência da UFBA para tentar recuperar os tempos afastados.
Conversamos como se tivéssemos nos separados apenas por uma semana. Pusemos muitos assuntos em dia. E nos re-encontramos. Ou seja, falamos muito do que éramos antes e do que somo hoje e até mesmo falamos coisas que antes não falamos (nessas horas se dava mesmo o encontro).
Foi um feliz re-encontro. E espero não mais perdermos contato.
E, agora, enquanto posto sobre nosso re-encontro, ele entra no quarto e começamos a falar de re-encontros e de orkut e de blog's.
Compartilhamos comida, dias, filmes, impressões e vontades (planos) e também o passado (além do passado remoto).
Indizível a sensação. Talvez a mesma do primeiro encontro (não falo do primeiro dia que nos vimos, mas do encontro que foi o incício de nossa amizade: eu, desesperada, depois de uma briga, depois de agir com imaturidade, de ter ficado sem chave de casa, sem ter para onde ir, perto de meia-noite, depois de ter ligado para um monte de gente e não ter encontrado abrigo, liguei para ele, que eu conhecia tão pouco, e ele me recebeu em sua casa e conversamos e dali em diante ficamos encontrados, ficamos amigos).
Outros acontecimentos se deram. Ele foi embora. Fizemos a festa de depedida dele em minha casa.
E agora esse novo encontro.
Não nos víamos há tempos, não estamos mais iguais e esse encontro é diferente. Mas, nada disso significa outra coisa que não a felicidade de, outra vez, estarmos juntos.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sentimental bairrismo ou necessidade de re-conhecer?

Hoje estou sentimental (e bairrista?). Vontade de haver um poeta para cantar essa minha terra. Tão misturada. Tão contraditória. Tão dentro de mim. Gosto de pisar nesse chão. Mesmo que eu fale, tantas vezes mal. Hoje vi um homem carregando um boi pela feira, pelo centro de uma cidade do interior. Crianças de uma escola, na hora da recreação, cantaram: "Boi, boi, boi, boi da cara preta/ pega essa menina que tem medo de careta...
Ontem, vi um velhinho, corcunda, andando quase emborcado...
As caras tão marcadas. As velhas com coques na cabeça. As motos e os cavalos convivendo num mesmo espaço caótico, entremeeiro, nonsense.
Quero muito poder ainda viver os muitos lugares daqui de Sergipe. As cachoeiras da Ribeira, as praias em Pirambu, as cidades, a região da Grota do Angico que me encantou tanto quando fui lá: a carvalhada, as pessoas que carregam o mito de Lampião como parte de suas histórias de vida.
E, tanta coisa que nem posso falar/descrever pelo fato de eu ter 28 anos e conhecer tão pouco ou mesmo não conhecer nada.
E, acho que por isso, tantas vezes para mim é fácil me encantar com outras terras, outros lugares que não esse aqui tão vivo, tão pulsante, tão latente e tão despercebido.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

A velhice - seria um comentário, pois que sem mais: virou postagem!



Antes de tudo: também eu estava afastada de escrever aqui, um lugar que também eu aprendi a gostar. Estive mergulhada em livros por conta do mestrado e aproveitando o feriado-quase-férias para dormir também até bem mais tarde.
Li o texto de Jadito e comecei a comentá-lo. Decidi postar porque no comentáio não rola de colocar foto e eu queria ilustrar o texto com uma foto (ô, mania) e também lá não tem a opção de colocar nome de livro em itálico, colocar corezinhas (e hoje estou fresquinha, fresquinha). E também queria motivos para escrever aqui. Andava ressabiada...
Enfim, abaixo o texto-comentário:

"A velhice é o meu tema (falo tema que estudo no mestrado, no livro da Alina Paim, a memória e a velhice de Teodoro, personagem de A sétima vez). Assim como a morte muito me interessa, mas ainda não tive impulso (leia-se: coragem) de estudá-la. Adoro Teodoro, o personagem da Alina Paim porque ele tem 67 anos e nem por isso deixa de viver e de lutar pelo que acredita defensável: falar na época da Ditadura Militar brasileira. Adoro a Hilé, da Hilda Hilst que também está velha. Gosto da Olímpia, personagem de Adélia Prado (Quero minha mãe) porque ela também tem mais de 60 e o livro é foda e ela busca na memória a vida dela toda e a vida dela no presente não deixa de ser interessante porque ela tem mais de 60. Adoro todo o A via crucis do corpo, da Clarice porque traz muitos personagens velhos. A velhinha que arde, que se masturba. A outra que se perde no Maracanã, masque se perde mesmo é na vida (essa de outro livro de contos que não o A via crucis...). Um dos livros "teóricos" que mais me encantou foi o Memória e sociedade - lembranças de velhos, da Eclea Bosi. Os filmes como Umberto D, como aquele Hamaca Paraguaya (que vimos juntos) e outros tantos que tocam nesse tema me encantam. Me encantam e me fazem pensar.
E penso nas coisas que você escreveu e que fazem todo sentido para mim.
E lendo agora Matéria e Memória e A memória, a história e o esquecimento: tudo isso faz muito sentido para mim, sim! Sentido e significado.
Também tenho a sensação de intensidade guardada na pele, na boca, em mim. E tenho pensado que isso da eterna juventude, de enxergarmos a potência só na juventude,  as possibilidades do sexo só na juventude é mais uma construção, assim como o é a sexualidade, etc.
Lembro-me, agora, para fechar, do que propôs Hilda Hilst às escritoras: montar um bordel geriátrico! Ela já imaginava Lygia Fagundes Teles de luvas sete oitavos, no caixa a receber a grana...
Lembra-se do "Teje presa", da Hildinha?
Envelhecer faz parte.
E o nosso velho Bukowski?
E o nosso velho e erótico Carlos Drumond de Andrade?
Fecho, de verdade, com um poema dele:

Amor e seu tempo

Amor é privilégio de maduros
Estendidos na mais estreita cama,
Que se torna a mais larga e mais relvosa,
Roçando, em cada poro, o céu do corpo.
É isto, amor: o ganho não previsto,
O prêmio subterrâneo e coruscante,
Leitura de relâmpago cifrado,
Que, decifrado, nada mais existe
Valendo a pena e o preço do terrestre,
Salvo o minuto de ouro no relógio
Minúsculo, vibrando no crepúsculo.
Amor é o que se aprende no limite,
Depois de se arquivar toda a ciência
Herdada, ouvida. amor começa tarde.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Epifania, Literatura, Besteira e Gargalhada - quase uma paródia de um texto espetacular de Tiago esse título, não?


Desde os doze anos de idade eu fui fisgada pela escritura de Clarice Lispector. Nada intelectual. A coisa se deu da maneira mais táctil e sensível possível. Deparei-me com Água Viva e o li no quintal de casa. Ao terminar o livro eu sabia que um eu feminino escrevia para um tu masculino. Que esse eu era pintora e agora lidava com as palavras e que sentia o domingo parecido como eu sentia.
Eram as impressões de uma menina de doze anos.
Não larguei mais Clarice e as relações foram se dando sempre de maneira mais complexa. Até que decidi fazer o curso de Letras.
A relação com a obra da minha então escritora preferida não mudou. Continuava amorosa. Ela não era meu objeto de estudo e quando o foi, não me afastei. Pelo contrário, a aproximação era sempre e cada vez mais significativa.
Por esse motivo, deixei-a guardada só para mim e estudo hoje uma outra escritora que me emociona muito especialmente com a escritura do livro que se fez objeto do projeto de Mestrado. Ela é Alina Paim e o lviro é A sétima vez.
Acho que não consigo estudar de maneira mecânica. Para mim se faz necessário haver paixão.
A obra de Clarice Lispector e a de Alina Paim são plenas de construções linguísticas próprias, reforçadas por uma estrutura sintática peculiar, capaz de, simultaneamente, encantar e envolver o leitor em um universo linguístico e poético renovando conceitos de leitura.
Sabia eu que as obras de Lispector geralmente focam a epifania, traduzida em momentos de revelação, em que determinado personagem se defronta com a verdade.
Aliás, esse foi o tema da monografia que escrevi para concluir o terceiro período do curso (estranho, não é? Mas, foi isso mesmo: à época, não rolava TCC no curso de Letras aqui na UFS e fizemos monografia como uma tipologia textual na disciplina Produção de texto III).
Não me envergonho do que escrevi, uma vez que eu era semi-caloura à época.
A vida continuou. Os períodos foram se sucedendo. Concluí o curso e hoje estudo essa outra autora, sob um outro viés: o viés da memória.
Daí que de repente pensei: não é que há e muito de epifania nesse A sétima vez?
Também Teodoro (personagem principal do livro) é exposto a um acontecimento, que ele denomina de fenômeno, que muda sua vida, que o faz conhecer um tipo de verdade. Apesar de que todo seu envolvimento com esse tal fenômeno está ligado á duras questões como a Ditadura Militar brasileira, etc.
Não vou desenvolver à exaustão esse pensamento. Talvez ainda o faça por gosto para apresentar algum trabalho.
Agora, só fico mesmo feliz com o descortinar do pensamento à caminho da padaria.
Hoje já vivi ápices de sentires (vulgo raiva mesmo). Agora, me diverti para caramba com uma última espiadela no que mais me chateou e ri. Ri. Ri muito e tanto, que lembrei-me dessa denominação: epifania.
O descortinar de uma verdade. Um momento que transforma. Não aplica-se ao que citei agora que me fez rir, mas sim às duas escritoras.
E, assim, fico feliz de verdade.
Termino o dia às gargalhadas com a besteira que me fez rir de verdade e à bessa e feliz em ter percebido essa ligação entre duas grandes escritoras que estão comigo sempre.