terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A laranjeira, Carlos Fuentes

 Martín II

Mãe: só contigo o nosso pai venceu. Só a teu lado teve sorte crescente. Só contigo não lhe declinou o poder, a fama, a compaixão, a riqueza. Bendigo-te, mãezinha querida. Agradeço-te a pele morena, os olhos líquidos, a cabeleira semelhante à crina dos cavalos de meu pai, o públis quase glabro, a baixa estatura, a voz aflautada, as palavras parcas, os diminutivos e apelidos, o sonho maior que a vida, a pouca memória, o contentamento disfarçado de resignação, o desejo de acreditar, o anseio de paternidade, a imagem perdida no meio da maré humana escura e subjugada como eu: sou a maioria.

Começo a flertar o livro A laranjeira, de Carlos Fuentes. Estava, antes, a ler coisas só em espanhol por motivos óbvios e desesperadores: queria saber o máximo possível e mais e mais compreender os hermanos. Acabei lendo um francês traduzido para o espanhol...Mas, agora estou lendo Carlos Fuentes em português...kkkkkkk!
Entre uma espera e outra, em viagens de busão de um lugar ao outro, um tanto antes de dormir, enquanto espero Rogério sair do banho para irmos para a rua...crio todas as oportunidades para viajar, curtir tudo e todas as pessoas, para experimentar as bebidas mais nonsenses possíveis, para rir muito e para continuar lendo!

A passagem de Fuentes acima me lembrou a mim mesma, a história tão comum e tão da maioria: as mães (as solteiras ou as casadas), a força das mulheres que seguram as barras sempre pesadas e que são sempre tão invisíveis.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O sacrifício- primeira parte



Dizem por ai, a boca pequena, que Nietzsche matou Deus. Na verdade esse assunto já é bem velho. Basta lembrar como Hume define Deus: hipérbole das qualidades humanas ou Feuerbach que entende Deus como uma projeção doentia dos desejos humanos. Não vou aqui levantar os mais diversos precedentes históricos, mas, Deus morreu mesmo? Será que Deus enquanto conceito criado por Aristóteles e por muitas vezes tomado de empréstimo por vários filósofos modernos morreu mesmo? Será que Deus enquanto criador ou ser metafísico ou entidade religiosa morreu mesmo?
Tal discursão também é levantada por um filme absolutamente fenomenal dirigido pelo cineasta Andrei Tarkovski que estou ainda a elaborar na mente o que seu minucioso discurso eminentemente religioso quer provar ou mostrar. Deus existe? É preciso sacrifício para que ele se manifeste? É loucura acreditar em Deus? A loucura é para aqueles que acreditam? O homem é realmente um ser doente quando acredita em Deus?
Bem, tais perguntas podem nortear uma analise filosófico-religiosa acerca do filme em questão, mais sobre ele em breve. O fato é que ele atordoa, enlouquece faz tremer e temer é uma ode ao belo ou ao terror sublime que a morte provoca. Ele é.....

Jadson

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Sabe quando uma mesma coisa acontece mil vezes e a gente nao se dá conta ou finge nao ver ou tenta remediar? Mas, a coisa acontece e acontece e de repente: a gente, retardariamente, enxerga e: PIMBA! A gente entende e nao sabe direito o que faer...Mas, talvez o primeiro passo seja nunca mais deixar a coisa se repetir...Enigmático isso? Sim! Mas, quero muito poder escrever minhas coisinhas enigmáticas ou nao...As coisas me vêm à cabeca e gosto de soltá-las aqui que por muito tempo considerei um espaco de liberdade para tal, um espaco de matar e criar demônios e depois de tudo: paracalmar...
Gosto tabmbém da nao explicacao e da nao explicitacao. Gosto dos mistérios também. Especialmente dos mistérios gozosos (como diria Afonso Romano de Santana).

P.S.: nao sei onde ficam o cedilha, o tio e o bichinho que parece com aspas para colocar no sobrenome Santana...É a vida!

domingo, 9 de janeiro de 2011

SABE QUANDO BASTA UMA IMAGEM? ENTÃO...


Eu, Wesley Soares e Jadson Teles, "aprontando", à 1h de 09/01/2011.
Lindo!

Wesley PC>

Homenagem a Wesley de Castro

Ontem eu vi e abracei meu melhor amigo e ele fez 30 anos(uma balzaquiana) e nos saímos com alguns amigos e brincamos de gangorra. Ele tomava coca-cola e eu Montila, ele estava com dor de cabeça e eu com dor na coluna.

Ele conseguia ficar de pernas para o ar apoiando-se numa barra de ferro, eu tentei..., nós sorriamos.

Dizem que ele é jovem e que sou velho apesar dele ser mais velho uns 6 meses, não me sinto velho, talvez eu seja um pouquinho gordo e ele é magro bem magro.

Querido Wesley, em alguns dias partirei para uma terra um pouco distante, mas não estarei longe ao menos espirituosamente não.

Ele tem um sorriso largo histriônico, sou um pouco mais introspectivo contido, mas sabem de uma coisa sabemos nos divertir há se sabemos.

E gostamos do mar, num momento epifanico sentamos um do lado do outro olhando a imensidade do mar e sentindo o vento ( ar em movimento).

Beijo meu grande amigo e Parabéns.
Jt

sábado, 8 de janeiro de 2011

O Corpo e a Morte

A idéia que tenho de um corpo que morre

É que ele diminui.

O corpo do morto é um corpo menor.

Mas a morte, não!

A morte é máxima.

A morte se verte larga e mais se alarga.

Sai de fonte que não seca.

A morte existe,

A vida também.

Mas a vida consome.

A morte, não!

A morte amplia.

A morte é sempre máxima,

Natureza implacável, verdadeira

Solidão.

O corpo quando encontra a morte é

Porque encontra o ponto da

Máxima solidão.

O corpo do morto é um corpo menor

E um corpo distante.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

"Todo mundo tem um canto de tristeza"

Eu olho meu canto mais triste

(“Mais” porque, em todos, guardados estão

Pedacinhos de tristeza).

Agradeço aos céus porque são cantos

E não quartos inteiros, salas inteiras,

Casa inteira.

Há alegria no centro da sala,

Em cima do fogão, pendurada no

Telhado.

É por isso que ando de um modo a

Evitar as beiradas da casa.

Ando na ponta dos pés,

Faço movimentos bem contidos.