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sábado, 14 de maio de 2011

Vôo e Salvação

Graças a Deus existe a poesia,

Que me salva.

Na exata hora da queda

Escrevo.

Como pássaro que nunca cai,

Desenho no céu

Meu vôo de liberdade.

domingo, 17 de abril de 2011

Eu listaria as coisas que existem
A medida que precisamos.
Mas não faria isso.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Amputado ou Coisa escondida demais

Uma vez,
Embaixo da cama de minha avó,
Achei uma caixinha azul de metal.
Ali, um vidrinho de perfume
em formato de coração,
um relógio de bolso dourado e fotografias.
De repente, uma voz:
"Peloco de vó, venha comer!"
De susto, ligeiro, a tranquei.
Vinte e sete anos se passaram.
Sensação outro dia de que perdi coisa minha
Lá dentro.
Descobri que peloco é filhote de pássaro.
E que, quando fechei a pequena caixa,
Esqueci dentro dela as minhas asinhas.

A laranjeira, Carlos Fuentes

 Martín II

Mãe: só contigo o nosso pai venceu. Só a teu lado teve sorte crescente. Só contigo não lhe declinou o poder, a fama, a compaixão, a riqueza. Bendigo-te, mãezinha querida. Agradeço-te a pele morena, os olhos líquidos, a cabeleira semelhante à crina dos cavalos de meu pai, o públis quase glabro, a baixa estatura, a voz aflautada, as palavras parcas, os diminutivos e apelidos, o sonho maior que a vida, a pouca memória, o contentamento disfarçado de resignação, o desejo de acreditar, o anseio de paternidade, a imagem perdida no meio da maré humana escura e subjugada como eu: sou a maioria.

Começo a flertar o livro A laranjeira, de Carlos Fuentes. Estava, antes, a ler coisas só em espanhol por motivos óbvios e desesperadores: queria saber o máximo possível e mais e mais compreender os hermanos. Acabei lendo um francês traduzido para o espanhol...Mas, agora estou lendo Carlos Fuentes em português...kkkkkkk!
Entre uma espera e outra, em viagens de busão de um lugar ao outro, um tanto antes de dormir, enquanto espero Rogério sair do banho para irmos para a rua...crio todas as oportunidades para viajar, curtir tudo e todas as pessoas, para experimentar as bebidas mais nonsenses possíveis, para rir muito e para continuar lendo!

A passagem de Fuentes acima me lembrou a mim mesma, a história tão comum e tão da maioria: as mães (as solteiras ou as casadas), a força das mulheres que seguram as barras sempre pesadas e que são sempre tão invisíveis.