sexta-feira, 13 de maio de 2011

ESTA É A PRIMEIRA CENA DE “EXÍLIOS” (2004, DE TONY GATLIF)!


E, para não estragar a sessão, não digo mais nada, exceto que: 1 – eu e Vanessa Lacerda ainda estamos a nos recuperar do forte transe frenético que o filme nos causou; e 2 – ele tem que ser assistido em volume altíssimo, agora, já!

Wesley PC>

quarta-feira, 11 de maio de 2011

“AS VALIOSAS DECISÕES DE SÁBADO À NOITE SÃO ESQUECIDAS COM A RESSACA DE DOMINGO PELA MANHÔ OU PORQUE JADSON (JUNTO E SEM ACENTO, VISSE?)!

Não cabe mais perguntar a meu devotado amigo se ele confia em minhas dicas cinematográficas, dado que, aqui, a dica é dele: vi “Caçada Humana” (1966, de Arthur Penn), por causa dele, e é a ele que dedico o que sinto depois deste filme, em que alguém profere o seguinte adágio: “quando um homem está disposto a morrer, não há nada que alguém o obrigue a fazer”. Tudo muito demorado, irregular, lento, complicado, mas doído e traiçoeiro até a medula: a sociedade em que vivemos está perdida! E, enquanto eu ouço canções antigas, tristes e lindas do Ney Matogrosso, eu interrompo a escrita, ainda perturbado com os olhares desamparados do Marlon Brando, da Jane Fonda, do Robert Duvall, do Robert Redford, em suma, de todo elenco deste filme, absolutamente prenhe da mais sincera (e contagiosa) das infelicidades. Genial, apesar de não necessariamente ótimo! “Deus salve a fome que ele tinha”...

Wesley PC>

O poetinha

Queria era usar palavra-não-dita

Tirá-la de dentro das coisas

Que ninguém nem vê

Nem sabe que existe

Queria era fazê-la existir o poetinha

O segredo da galinha

Eu sempre achei que minha avó tinha algum defeito na cabeça, só não sabia o qual. Uma vez encasquetou com uma galinha na estante dos livros. Uma galinha de porcelana, branca e preta. Ela se balançava na cadeira de balanço de olho na galinha e a galinha de olho nela. Teve vontade de rumá-la ao chão de tanta raiva da danada, de olhos apertados a fitá-la. Era sentar para o ponto de cruz que a bicha se eriçava. Só faltava cacarejar. Se livra dessa peste, Catiana, ou dou um trato – rezingava rouca. Mas minha mãe, assim como eu, não via nada demais naquele bibelô, a não ser o fato de que estava velho e remendado. Passava um tempo e aquilo da minha avó passava. Aí andava pela casa como se nem percebesse a galinha. Até brincar de boneca brincava. Depois era um tal de limpar os cantos. Um tal de passar pano, de lavar banheiro. Minha mãe se irritava com medo de ela se arrebentar numa queda. Mas minha avó era danada demais. Parecia menina querendo ajudar a mãe na limpeza da casa. Embora não tivesse mãe, embora não fosse mais filha.

Era, de uma hora pra outra, que inventava de bordar as toalhas. Primeiro as de banho, depois as de mesa, depois nossas roupas. Tirava tudo dos armários. Minha mãe ficava azeda. E eu ria, só ria, mas nada entendia. Quando colocava tudo encima do colo e começava a tecer letras e animais, ela parecia uma mulher velha, de cara fechada e olhar apertado sobre o tecido e a agulha. Nada que lhe fosse perguntado era respondido. Minha mãe, esquecida como ela só, não tirava a galinha do lugar. Ela era quem não entendia nada. E minha avó, acho que medrosa, não ousava tocá-la. De longe, dava língua e dedo, xingava. Só uma vez, quando se encheu de coragem, arremessou o novo testamento, mas errou a mira. Podem não acreditar, mas, nessa hora, eu jurei ter visto a galinha rolar sobre os livros dando gargalhadas ruidosas. Não seria louco de dizer a minha mãe. Mas depois de um tempo, a galinha só enganava a ela. Eu e minha avó guardávamos cada um em sua solidão, o segredo da galinha. Só nós sabíamos que a galinha era a encrenqueira, que era ela quem primeiro espichava os olhos, só pra chatear.

Chegou um tempo em que minha avó, já fraca e de ossos que eram puro pó, mal agüentava o senta-levanta da cadeira, nem forças tinha pra outra vez tentar dar um jeito naquele demônio galináceo. Mas eu, já crescido, vi minha paciência ir embora com os anos. Foi quando uma vez ela resolveu ser meu algoz. Me encarava de um modo esquisito, com fúria no olhar miúdo. Desdenhava, pintava e bordava. Mas com comigo o buraco era mais embaixo. Quando nem mesmo eu esperava peguei a galinha com uma só mão e numa só vez, taquei-a contra o chão com toda força. Ela se repartiu em pedacinhos, ficou que era só poeira. Não sabia o que era bico, o que era asa, o que era olho. Nesse dia, vi brotar meio sorriso na boca murcha da minha avó que logo logo começou a se balançar na cadeira e a cantarolar baixinho. Ria sozinha pela casa como quem ria pra alguém. Era um tal de perguntar pelas bonecas e de tagarelar sem fim. Todos na casa estranhavam minha avó. No bairro a chamavam de doida. Mas há muito eu sei que minha avó não era louca, era menina cuja vida se tornou um inferno por culpa daquela galinha esquisita.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sentimento família 2-o efeito quiabo.



Estes dias vem sendo dias estranho, um pouco fora de ritmo de estudo, me acostumando com o clima seco e frio de Goiânia. Hoje me acordei tarde pra cacete, meio assustado com o chamado de Joyce e depois de duas horas mergulhei no fazer do almoço, enquanto Aelton lavava roupa e Joyce arrumava seu quarto, preparei arroz com cenoura e alho e um cozido de quiabo com um montão de verdura e tempero curry de da aquele sabor picante. Nossa como ficou bom, Joyce reclamou do quiabo que ela não tem costume de comer e que e escorregadio e difícil de descer, eu ri neste momento e lembrei do filme que vi domingo na casa de um casal amigo " O Mensageiro do diabo"(1955)de Charles Laughton.

O que tem a ver Quiabo com o filme citado? exatamente a dificuldade que tive na sessão de senti o filme como esperava, já que eu nunca tinha visto e que era um daqueles que gostaria de ter visto desde pequeno (depois de ver uma foto da personagem principal que destacava exatamente a palavra LOVE na mão esquerda dele apoiada numa cerca de madeira), um filme que desliza durante sua exibição, mas que tive dificuldade de ver, de me sensibilizar com ele. Contudo, seu protagonista é o que o filme tem de melhor.A depressão americana é o pano de fundo da estória de um assassino, que disfarçado de um carismático missionário enviado por Deus tenta dá mais um golpe em uma viúva de cidadezinha americana.
O filme pode ter várias leituras, desde a de guerra fria entre o Estado soviético e o americano, assim como ao movimento petencostal americano que eclodia com força desde a quebra da bolsa em 29. porém a seqüencia de eventos finais do filme enfraquece e muito o resultado geral. mais ainda assim foi bom ter realizado o desejo de vê-lo!

JT