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sexta-feira, 13 de maio de 2011

ESTA É A PRIMEIRA CENA DE “EXÍLIOS” (2004, DE TONY GATLIF)!


E, para não estragar a sessão, não digo mais nada, exceto que: 1 – eu e Vanessa Lacerda ainda estamos a nos recuperar do forte transe frenético que o filme nos causou; e 2 – ele tem que ser assistido em volume altíssimo, agora, já!

Wesley PC>

sábado, 9 de abril de 2011

E, PARA QUE EU NÃO PERCA MUITO TEMPO EXPLICANDO O PORQUÊ DA HOMENAGEM, UMA IMAGEM QUE GRITA!

A cena acima faz parte do clímax de “Equus” (1977), último filme do cineasta Sidney Lumet visto por mim, até então. Não sei se se pode falar realmente em clímax no que diz respeito a este filme, dado que experimentamos um verdadeiro périplo de extrema angústia diante desta obra excruciante e irregular, em que um psiquiatra que experimenta uma dolorosa crise matrimonial aceita averiguar que motivos levaram um jovem religiosamente perturbado a rasgar os olhos de seis cavalos com uma lâmina. Não preciso dizer que o filme como um todo, teatral até o limite do monologo direto para a câmera, é uma jornada de dor e confissão, em que a suposta redenção não se dá por outra via que não a do diálogo. E manutenção de diálogos enquanto profissão é uma das maracás registradas deste brilhante artesão hollywoodiano que morreu hoje, 09 de abril de 2011, aos 86 anos de idade: Sidney Lumet entendia de pessoas que eram pagas para conversar! Foi assim no primeiro longa-metragem que dirigiu [“12 Homens e uma Sentença” (1957)], foi assim no filme que enfeita esta postagem, foi assim em sua ótima obra derradeira [“Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto” (2007)]. Foi assim em seus clássicos que eu ainda não vi [“Serpico” (1973) e “Rede de Intrigas”], foi assim em suas quase unânimes obras-primas [“Um Dia de Cão” (1975) e “O Veredicto” (1982)], foi assim em seus filmes que mais me feriram particularmente [“Longa Jornada Noite Adentro” (1962) e “O Peso de um Passado” (1988)] e foi até mesmo assim em seus filmes menos inspirados [“Tudo o que Sempre Quis Ouvir” (1980) e “Glória – A Mulher” (1999)].

Apesar de todas as limitações que lhe foram impostas – e eventualmente aceitas – por Hollywood, portanto, Sidney Lumet soube deixar a sua marca impressa num cabedal de gênios. Por isso, quem realmente preza o Cinema poderia estar de luto hoje, mas, se não está, é porque bem sabe que inteligências verdadeiras como esta não morrem. Ficam eternamente impressas em suas obras de arte! Assim sendo, descanse em paz, Sidney Lumet (1924-2011)!

Wesley PC>

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Era uma exposição de um artista...Na casa Brasil-França...Tinha uma instalação...cada pessoa entrava sozinha...Três cortinas escuras. Sala escura e uma opção: continuar ou voltar. Continuei. Saí tremendo da experiência. O coração aos pulos dentro de minha garganta, como não cabendo ali e também sabendo que não era uma boa saltar fora de meu corpo assim...Tremia. Busquei um assento. Sentei, mas não sem antes tirar os óculos.

Descobrir que sou alguém que se atira foi surpreendente. Que medrosamente vai para frente mesmo na escuridão, e que tateia, procura, mas que antes de qualquer escuridão, busca o entorno de si...eu busquei o meu entorno ali...E me vi a descobrir, a tocar cada vão de parede, a confiar em meus sentidos e depois me vi criança, testando a verdade e abri as três cortinas de volta sendo Nina. Essa de sempre e uma outra nova.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

RELIGIÃO QUE FERE E GOZA – PREÂMBULO DAS CONFISSÕES ADICIONAIS

O texto confessional mais detido ainda está em processo, mas tenho que colocar para fora uma descoberta pungente no que tange à minha subsunção à conversão religiosa proto-institucional: por estar apaixonado por um católico tendente ao silêncio, fui vítima do silêncio na noite de hoje. E silêncio é algo que me fere como quase nada neste mundo, quem me conhece sabe! E, neste silêncio de impaciência, sentei em frente à minha casa e passei a ouvir “Passos no Silêncio” (1998), da irmã Kelly Patrícia. Dádiva gozosa!

Quando levei este disco para a casa de Jadson, sorrimos um tantinho diante do fervor extremado da cantora diante de seu objeto de adoração, Javé em sua face mais possuidora. Mas, conforme o próprio Jadson anuiu, ela é uma artista interessante, visto que divulga suas melodias neo-medievais como se estivesse no píncaro do século XIII. Basta passar os olhos pelos títulos e enredos das canções deste disco: “Esposo Adorado” (sobre o “casamento” com Jesus Cristo), “O Êxtase de Santa Tereza” (sobre uma pletora de santos convocados para encontrar uma chave perdida “à beira do claustro”) e “Solidão” (um dos “momentos prediletos” da cantora) são exemplos mais do que suficientes para estudar a devoção quase patológica – logo, divina e maravilhosa – desta freira legítima, que vive numa espécie de comuna semi-vegana em Fortaleza. Recomendo que os leitores deste ‘blog’ pesquisem sobre ela.

Mas, como estou aqui para “anunciar a boa nova”, segue a absurdamente genial letra da última faixa deste ótimo disco, “Vivo Sem Viver em Mim”. É quase um convite ao suicídio devoto. Tiago querido, tome cuidado se fores ouvi-la, visse? Segue a letra, comentada por mim:

“Vivo já fora de mim, desde que morro de amor;
Porque vivo no Senhor, que me escolheu para si;
Quando o coração lhe dei, com terno amor lhe gravei:
Que morro porque não morro.
Vivo sem viver em mim”


Começa tranqüilo. Perfeito. Mas aí ela repete o refrão e sentimos que tem algo de “esquisito” no título da canção:

E tão alta vida espero,
Que morro porque não morro.
Vivo sem viver em mim


Achaste pouco? Achaste normal? Siga lendo:

“Esta divina prisão, do amor em que eu vivo,
Fez a Deus ser meu cativo, e livre meu coração;
E causa em mim tal paixão ser eu de Deus a prisão,
Que morro porque não morro,
Vivo sem viver em mim”


Mais:

“Ai que longa é esta vida! Que duros estes desterros!
Este cárcere, estes ferros onde a alma está metida!
Só de esperar a saída me causa dor tão sentida,
Que morro porque não morro.
Vivo sem viver em mim”


Ainda não está convencido do extremismo e genialidade incompreendida da freira. A estrofe final arrebatará qualquer um ainda não convencido:

“Vida, que possa eu dar a meu Deus que vive em mim,
Se não é perder-me enfim, para melhor o gozar?
Morrendo, posso alcançar, pois nele está meu socorro,
Que morro porque não morro.
Vivo sem viver em mim”


Deus do céu, alguém chegou antes na divulgação de minhas idéias! Se um dia eu entrasse para o convento e tive uma voz tão bela e suave quanto a dela, era isso mesmo, sem tirar nem pôr, que eu ia difundir aos quatro ventos. obra-prima, perigosa como toda boa arte que se preze. Recomendo, recomendo, recomendo! Alivia que é uma beleza!

E tem mais, juro que ainda volto ao assunto (risos)
Se eu viver para viver em mima ainda...
Amo demais, meu Deus, e amo demais o meu Deus!

Wesley PC>