sábado, 19 de junho de 2010

SE ESTA IMAGEM TE CAUSOU QUALQUER EFEITO, POR FAVOR, CORRA PARA O CINEMA E VEJA “O ESCRITOR FANTASMA” (2010), MAIS RECENTE FILME DE ROMAN POLANSKI!

Não posso dar muitos detalhes, pois o filme é surpreendente e urgente em suas denúncias, mas, mesmo para quem não se interesse muito por hermenêutica persecutória, o filme é genial! Genial porque realizado por um verdadeiro “autor”. Autor de cinema! Realizado por um cineasta preso por um crime que divide opiniões. Alguns dizem que já deveria ter expirado. Outros, que não há perdão. Independentemente de qual seja a opinião sobre um tema, a certeza: mesmo que este crime não seja nem de longe mencionado no enredo do filme, os questionamentos sobre ele estão lá, a nos perturbar, nos forçando a tomar posição, ao mesmo tempo em que percebemos que estamos completamente cerceados. Não há mais saída! Tal qual o dia em que li “O Processo”, de Franz Kafka, senti-me como se estivéssemos sendo vigiados e perseguidos o tempo inteiro, não importa de que lado estejamos, não importa quais práticas políticas ponhamos em prática, seremos perseguidos! Roman Polanski traduziu a minha agonia em CINEMA – com letras maiúsculas. Recomendo, de coração!

Quanto à foto, alguém se lembra do fato? Diz respeito a soldados norte-americanos que aprisionaram suspeitos muçulmanos de terrorismo que, completamente desrespeitados em suas crenças morais e religiosas, são obrigados a acariciarem suas genitálias em frente a câmeras, obrigados a se beijarem entre si, a masturbarem-se uns aos outros, mesmo que não fossem necessariamente culpados daquilo que foram acusados. Tratava-se de uma nova tática de tortura: traumatizar os suspeitos pela cepa, naquilo que carregam de mais sagrado: sua pudicícia sexual. Será que os culpados por esta desonra foram punidos? Alguém não arrisca dizer que “não”?

Wesley PC>

Roda de Leitura





No próximo dia 6 de julho, o comitê sergipano do Proler vai comemorar o segundo aniversário da roda de leitura, na Biblioteca Epifânio Dória.
Em dois anos de existência, já foram lidos e comentados cerca de 50 escritores, nacionais e estrangeiros, sobretudo os contemporâneos. Os mediadores priorizam textos cujos autores tenham menos projeção na mídia. Assim, divulgam literatura de qualidade para um público eclético, que apenas deseja fruir e debater as obras.
Os gêneros textuais escolhidos são, em sua maioria, as narrativas breves e poemas, para que possam ser inteiramente lidos nos encontros; também não há necessidade de que os participantes já conheçam o autor (ou obra) em questão. Os textos são distribuídos na hora. O debate está aberto a qualquer interessado, independente de sua área de atuação profissional.
Apesar de a mediação contar com profissionais especializados em literatura, o objetivo da roda é compartilhar a leitura com todos.
Os encontros acontecem na primeira terça-feira de cada mês, sempre às nove horas da manhã. A entrada é gratuita, e não é preciso realizar inscrição prévia.
Todos os interessados estão convidados.
No próximo encontro, haverá o conto “O arco-íris à meia-noite”, de Cíntia Moscovich, e poemas de Carlos Felipe Moisés, sob a mediação de Antonio Carlos Viana e Maruze Reis.


P.S.: O release é de Carol Barcellos, assim como a arte (no paint, risos).

As rodas são sempre muito boas e, infelizemnte, pouco divulgadas.
Para quem vive reclamando de Buracaju, como eu, aqui, essa sempre é uma boa pedida.

Vale apena irmos todos!

Dos lugares - Zicartola


Em Buraco (apelido carinhoso de nossa querida cidade), é comum reclamarmos que não há um lugar para irmos. Os lugares são ou elitizados ou alocam eventos que começam muito tarde da noite e, por esse motivo, torna-se de difícil acesso para quem não tem carro ou, no mínimo, carona certa.
Os domingos em Buraco são entediantes, os sábados mal-aproveitados, etc.
Como havia postado algo sobre o grande Cartola, não resisti e busquei um vídeo para mostrar um pouco do que foi e do significado do restaurante Zicartola: espaço onde havia excelente comida, pois Zica cozinhava muito bem, e excelente música, a saber, foi lá que teve nascimento a carreira de Paulinho da Viola!
Um trecho dessa história segue abaixo, retirado do livro "Paulinho da Viola, sambista e chorão", de João Máximo:

“(...) Zicartola, restaurante que Angenor de Oliveira, o Cartola, iluminado compositor, e sua mulher Zica, exímia cozinheira, abriram no sobrado da Rua da Carioca, 53. O restaurante foi uma espécie de extensão das reuniões que se faziam em outro local, o segundo andar da Rua dos Andradas, 81, onde funcionava a Associação das Escolas de Samba e onde Cartola e Zica viveram por algum tempo, ele como vigia de todo o prédio. Cartola – depois de longo sumiço que levara quase todo mundo a supô-lo morto – fora redescoberto por Sérgio Porto enquanto lavava carros em Copacabana. Para Sérgio, aquele negro magro, de nariz estranho, tumoroso, era o personagem principal das histórias que o tio Lúcio Rangel lhe contava, ilustradas por sambas admiráveis. Redescobrir o ‘falecido Cartola’ foi como dar vida a uma lenda. E Sérgio, cronista mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, teria todo o direito de gabar-se disso até o fim de seus dias.
O que se passou na Rua dos Andradas foi assim como se o Brasil quisesse recuperar o tempo perdido sem a música de Cartola. Pois era justamente para ver e ouvir Cartola que iam lá incontáveis sambistas, de início os mais ligados à tradição, como Zé Kéti e o jovem Élton [Medeiros]. (...) Zé Kéti aproximou-se de Cartola porque este tinha uma idéia: organizar um conjunto de samba a ser batizado de A Voz do Morro (...) O (...) conjunto – formado entre outros por Cartola, Nélson Cavaquinho, Jair do Cavaquinho, Nuno Veloso, Zé Kéti e o jovem Élton – não passou da idéia. O que não impediu que aquelas reuniões musicais ganhassem fama. Em pouco eram prestigiadas não só por representantes da bossa nova, como Carlos Lyra e Nélson Lins e Barros, mas por gente de outras cidades, outros estados, fazendeiro fretando avião a fim de levar seu povo para conhecer Cartola. Resultado: o sobrado ficou pequeno para tanta gente. Por isso Eugênio Agostini, um empresário louco por samba, deu a Zica a idéia do restaurante. Ele e os pri
mos Renato e Fábio seriam seus sócios, naturalmente bancando os gastos iniciais. Os pratos dela e os sambas de Cartola haveriam de fazer o resto. Que ela mesma procurasse o lugar para a nova casa. Andou, andou e achou o sobrado da Rua da Carioca.
O Zicartola duraria pouco, apenas 20 meses. Mas marcaria de forma profunda a vida cultural da cidade, ou mesmo do país, na música, no teatro, na poesia e nas idéias que eram discutidas nas noites das quartas e sextas-feiras, às mesas distribuídas pelo pequeno restaurante. Começou a funcionar em 9 de setembro de 1963, mas só em 18 de outubro foi considerado pronto para a inauguração oficial. Pratos e sambas não seriam o bastante para compensar os prejuízos causados pelos muitos amigos que chegavam, ouviam música, comiam, bebiam e penduravam as contas para nunca mais (sem falar nos que andaram metendo a mão na contabilidade de Cartola, grande artista, péssimo negociante). Mas o restaurante seria, durante esse tempo, um verdadeiro templo. (...) Ali professavam sua fé no samba tradicional Ismael Silva, Nélson Cavaquinho, Carlos Cachaça, bambas da Mangueira, da Portela, do Império Serrano, do Salgueiro, de toda parte.
Eram dois shows, sempre nas noites de quartas e sextas. No primeiro, aqueles bambas se apresentavam sob a direção musical de Zé Kéti. No segundo, brilhavam Cartola e seu violão. Seguia-se o grand finale, no qual um convidado ilustre recebia a Ordem da Cartola Dourada, criada por Hermínio [Bello de Carvalho]. (...)
Foi Hermínio quem levou Paulo César ao Zicartola. Um fato importante na vida do então bancário, pois ali ele ficou conhecendo sambistas que, em sua timidez, eram entidades inatingíveis. Mais importante: passava a ser um deles. Desde sua estréia no primeiro show da noite, cantando sambas dos outros, causou forte impressão. Inclusive em Cartola, de quem Paulo César se aproximou humilde, cheio de cerimônia. O encontro dos dois é historicamente significativo, verdadeira passagem de bastão, sem que no entanto se tivesse consciência disso. Muito do que Paulo César estava por fazer – manter a tradição, sem maculá-la, requintar o samba sem deformá-lo – Cartola já vinha fazendo. Não fossem ambos tão tímidos, tão reservados, e seria inevitável se tornarem parceiros. Mas Zé Kéti também se encantou com o som do violão de Paulo César, sua musicalidade, sua voz terna, afinada, que combinava o timbre de autêntico sambista de escola com a técnica precisa de crooner profissional. O diretor musical do restaurante logo anteviu
 no moço de 20 anos um novo bamba. Copmentou isso com o jornalista Sérgio Cabral, que na época assinava, com José Ramos Tinhorão, uma seção de música popular no Jornal do Brasil e era mestre de cerimônias no Zicartola. Sérgio concordava. Mas achava que, definitivamente, Paulo César não era nome de sambista.
– Que tal Paulo da Viola? – indagou Zé Kéti, certamente inspirado em Mano Décio da Viola, veterano compositor do Império Serrano.
– Paulinho... Paulinho da Viola é melhor – completou Sérgio.
E assim Paulo César Baptista de Faria foi rebatizado para todo o sempre.” 

O vídeo é Clementina de Jesus, no Zicartola cantando "Ensaboa". 
Ai, ai que tivéssemos um lugar aqui em Buraco onde fosse realmente legal ir, tomar umas cervejas, ouvir umas músicas legais, conversar com pessoas queridas, etc.

Cartola e o esquecimento - uma memória


Grande Cartola e a lembrança de nossa mania de brasileiro de esquecer ou de não valorizar ou de valorizar só depois de mortas as pessoas da música, da literatura, do teatro, etc.
Essa criatura foi encontrada lavando carros por um jornalista e, teve, depois disso, sua carreira minimamente renovada depois de tempos de ostracismo...
Assim quase se deu com Tom Zé num posto de gasolina de um seu sobrinho até ser re-descoberto por um estrangeiro!
E viva nosso Brasil brasileiro terra de samba e pandeiro!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

AINDA MAIS CRENTE NO AMOR QUE OS PERSONAGENS TRISTES DO TOMOMI MOCHIZUKI...!

Antes de mais nada, quem é Tomomi Mochizuki? É o cineasta japonês responsável por “Ondas do Oceano” (1993), belíssimo longa-metragem animado produzido sob a égide dos estúdios Ghibli (onde Hayao Miyazaki e Isao Takahata são os diretores-chefe), no qual um garoto com excelentes notas e cobrado ao extremo por seus parentes e contratadores eternamente insatisfeitos mergulha numa espiral de descontentamento depois que se apaixona por uma bela garota depressiva, que mente constantemente para ele, a fim de conseguir dinheiro para tentar interceder no divórcio recente dos pais. Ela não consegue fazer nada. Ele fica mais triste à medida que o filme avança. Até que há uma longa passagem de tempo. E o tempo é sempre "o tempo" nestas situações...

Este parágrafo inicial é apenas uma metáfora: apesar de reservar os meus sábados para estar entre os amigos do maracujá mais erótico do país, talvez amanhã eu não possa fazer o mesmo. Motivo: estou doente. Noutras situações, isto não seria um problema, mas estou com as costelas e a coluna doendo de tanto tossir. Doendo mesmo!

Na tarde de hoje, inclusive, fui ameaçado de formas violentas pelas pessoas que trabalham comigo em razão de minha recusa em ir a um hospital. Não vou, não vou e não vou! E, na verdade, estou pouco me lixando para isso. Preocupam-me mais: de onde vou tirar dinheiro para pagar a televisão que precisei comprar às pressas desde que a minha queimou repentinamente, na noite de segunda-feira? Quando meu ejaculador providencial estará curado das feridas que cobrem seu corpo e me impede de acariciar à vontade sua pele consoladora? Quando estarei novamente ao lado das pessoas que aqui escrevem e que eu tanto amo? Quando?

Wesley PC>

Epifania, Literatura, Besteira e Gargalhada - quase uma paródia de um texto espetacular de Tiago esse título, não?


Desde os doze anos de idade eu fui fisgada pela escritura de Clarice Lispector. Nada intelectual. A coisa se deu da maneira mais táctil e sensível possível. Deparei-me com Água Viva e o li no quintal de casa. Ao terminar o livro eu sabia que um eu feminino escrevia para um tu masculino. Que esse eu era pintora e agora lidava com as palavras e que sentia o domingo parecido como eu sentia.
Eram as impressões de uma menina de doze anos.
Não larguei mais Clarice e as relações foram se dando sempre de maneira mais complexa. Até que decidi fazer o curso de Letras.
A relação com a obra da minha então escritora preferida não mudou. Continuava amorosa. Ela não era meu objeto de estudo e quando o foi, não me afastei. Pelo contrário, a aproximação era sempre e cada vez mais significativa.
Por esse motivo, deixei-a guardada só para mim e estudo hoje uma outra escritora que me emociona muito especialmente com a escritura do livro que se fez objeto do projeto de Mestrado. Ela é Alina Paim e o lviro é A sétima vez.
Acho que não consigo estudar de maneira mecânica. Para mim se faz necessário haver paixão.
A obra de Clarice Lispector e a de Alina Paim são plenas de construções linguísticas próprias, reforçadas por uma estrutura sintática peculiar, capaz de, simultaneamente, encantar e envolver o leitor em um universo linguístico e poético renovando conceitos de leitura.
Sabia eu que as obras de Lispector geralmente focam a epifania, traduzida em momentos de revelação, em que determinado personagem se defronta com a verdade.
Aliás, esse foi o tema da monografia que escrevi para concluir o terceiro período do curso (estranho, não é? Mas, foi isso mesmo: à época, não rolava TCC no curso de Letras aqui na UFS e fizemos monografia como uma tipologia textual na disciplina Produção de texto III).
Não me envergonho do que escrevi, uma vez que eu era semi-caloura à época.
A vida continuou. Os períodos foram se sucedendo. Concluí o curso e hoje estudo essa outra autora, sob um outro viés: o viés da memória.
Daí que de repente pensei: não é que há e muito de epifania nesse A sétima vez?
Também Teodoro (personagem principal do livro) é exposto a um acontecimento, que ele denomina de fenômeno, que muda sua vida, que o faz conhecer um tipo de verdade. Apesar de que todo seu envolvimento com esse tal fenômeno está ligado á duras questões como a Ditadura Militar brasileira, etc.
Não vou desenvolver à exaustão esse pensamento. Talvez ainda o faça por gosto para apresentar algum trabalho.
Agora, só fico mesmo feliz com o descortinar do pensamento à caminho da padaria.
Hoje já vivi ápices de sentires (vulgo raiva mesmo). Agora, me diverti para caramba com uma última espiadela no que mais me chateou e ri. Ri. Ri muito e tanto, que lembrei-me dessa denominação: epifania.
O descortinar de uma verdade. Um momento que transforma. Não aplica-se ao que citei agora que me fez rir, mas sim às duas escritoras.
E, assim, fico feliz de verdade.
Termino o dia às gargalhadas com a besteira que me fez rir de verdade e à bessa e feliz em ter percebido essa ligação entre duas grandes escritoras que estão comigo sempre.

Psicossomatismo


A muito não consigo ver um filme, aliás um bom filme.
Vi na madrugada do último domingo um estranho filme, na verdade um filme com personagens estranhos chamado " Correndo com tesouras" de um tal de Ryan Murphy, diretor de alguns episódios de séries de sucesso da tv americana: "Nip Tuck" (conhecido aqui no Brasil como Estética) e a tão popular entre a comunidade Gay "Glee".

O filme não é de todo ruim, com um elenco estelar e muito bom, mas concerteza um filme pretensioso, conta a história de um adolescente que é levado a se tratar e morar com um psiquiatra de métodos poucos convencionais e com a sua família adotiva formada por um mulher serviçal-catatonica, uma religiosa fundamentalista e uma garota rebelde sem causa, ele acaba se envolvendo com o filho adotivo mais velho que não mora mais na mansão na qual se instala(ele tem 15 anos e seu irmão adotivo 30), e mantem uma relação conturbada com sua mãe Lesbica-maniaca-depressiva. daí imaginem a sucessão de fatos inusitados que acontece no decorrer do filme, alguns muito bens desenvolvidos outros nem tanto...


Bem, estou dormindo muito ultimamente e me sinto extremamente cansado e só pode ser somatização de não sei o que, tenho dessas coisas, acabei me identificando com o filme por uma série de fatores e entre eles essa loucura psicossomatica-hipocondriaca! Vixe!

JT