sábado, 4 de setembro de 2010

Guiados pelo amor


Fora uma noite repleta de desvios, dor de garganta e maus pensamentos. Saber que o dia amanhece nem é mais tão excitante, mas quando ele amanhece trás sempre um redescobrir, e isso faz do dia uma coisa muito especial mesmo que a noite caia, porque a noite cai, não nasce como o dia, ele continuará sendo até o seu final uma coisa especial.

Acordei depois dessa noite, liguei a TV achando que a distração era um remédio assim como fora o diclofenaco. Passava um filme: A Vila. Um filme que já havia visto há um certo tempo. Dele só havia uma lembrança, a de uma vila em que pessoas decidiram se esconder do mal do mundo mentindo para os jovens sobre demônios na floresta, para protegê-los da “fronteira”.

Há uma personagem nesse filme, Ivy. Como pude esquecer dela? Uma menina cega e aparentemente frágil. Se revelou a mais corajosa e destemida para salvar a vida daquele que era o amor de sua vida. Quando atravessa a fronteira, encontra um rapaz meio abobalhado, um guardinha florestal que mesmo indeciso e inseguro foi em busca dos remédios que Ivy procurava.

Como pude me esquecer dessas pessoas? E do “amor que move o mundo”?Não, não foi o melhor fime que já vi, mas foi a melhor coisa que me aconteceu nessa primeira hora da manhã em que estive acordado.

Um brinde a essa manhã de sábado.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Alérgica

Se eu escrevesse um diário, ontem o meu dia seria assim: dormi.
Acordei super cedo, ontem, com a irritação no pescoço que me perseguia desde a segunda-feira. Acordei decidida a ir na urgência e fui.
Antes de ser atendida estava muito impaciente pois o pescoço ardia, coçava, estava visivelmente vermelho. Era incômodo e incomodada eu estava.
Fui atendida. Fizeram perguntas, hemograma e aplicaram fenergan intramuscular.
Lá mesmo, na enfermaria, fiquei grogue.
Grogue para valer.
Voltei para casa e das onze da manhã às cinco da tarde: dormi.
Tinha textos e mais textos para ler. Tinham os textos da aula de hoje e eu não conseguia ficar de pé.
À noite: dormi. Das sete e quarenta até perto das onze: dormi. Depois, comi e voltei para a cama: dormi.
Hoje pela manhã, não conseguia me levantar: o corpo pesava e eu dormia.
Dez da matina, me levante, tomei banho, parecendo bêbada e vim para a UFS.
Perdi três ônibus que estavam em minha frente porque não conseguia andar rápido. O quarto era um Campus e eu vim sentada: dormindo.
Aqui, acessei Internet para saber a sala onde vou estudar.
Estou com as pálbebras pesadas. 
No ônibus, uma moça me avisou que eu estava intoxicada, vermnelha e que podia ser perfume...alergia  aperfume...
Seja lá o que for: tinha que ser comigo, né?
Vou, agora, para o primeiro tempo da aula. Com sono, mas, vou.
Não posso dormir eternamente. Posso até morrer, mas dormirtar eternamente sem morrer é estranho.
Preciso dar conta de Hannah Arendt, de Raymond Williams, de Ecléa Bosi, de Alina Paim, de Bergson, de Ricouer, de Halbwachs...Isso tudo + fenergan + allegra (o remédio para a alergia) = SONO.
Ah! Mas, hoje, antes de sair de casa, uma coruja pousou em minha janela.
Senti medo, a princípio, medo de ser agouro de morte.
Alguém vai morrer, pensei eu.
E depois: tomara que não. Tomara que seja um bom sinal. Sinal de que vou dar conta dos textos todos por esses dias de fim de semana e de feriado prolongado...
Que seja sinal de que as coisas fiquem bem. Que eu fique bem. Que todos nós fiquemos bem.

"Quanto à escrever: mais vale um cachorro morto", disse Clarice Lispector.

Essa frase-blasé dela era puro blefe, meu Deus? Porque ela também escreveu: "Escrever salva".
Somos todos contraditórios.
E eu com medo de coruja. Medo. Se tô aqui no mundo: é para me lascar mesmo, né não?
Então: nem adianta me dar esses remédios de dormir...
Eu durmo, mas o mundo e a cabeça: giram.

E, parodiando, posso dizer: "Quanto a mim: mais vale um cachorro morto".

Sonolenta. Alérgica.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

?

Há uma fase em que eu estou morto.
Agora, por exemplo,
Aguardo o desfibrilador.

Paixão

Paixão, palavra de fogo

Marcada na pele, nos olhos.

Ardência na alma.

Irmã da fúria.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Experiência

A casa era cheia de tintas, cores, pincéis, o cheiro do tiner, forte, quase desmaiador e depois gostoso de se sentir no costume da tontura.
Tinha um paninho, onde a mãe limpava os pincéis, e de tantas cores e de tão colorido, era sujo, sem forma, abstrato.
Criança, a menina pegava as caixas de tintas da mãe e ia brincar. Era a noite, a hora em que a mãe não pintava, pois usava óculos, sentia "as vistas ruins". Então, pegava as caixas de tintas e ia brincar. Separava as cores que achava femininas e as cores que achava masculinas. Tinha os pares, os casais, com tal separação. Brincava de família, de casinha com as tintas. Nomeava-as. Brenda, Paula, Tony, Ken (o marido da Bárbie), mas nunca ousou chamar alguma delas de Bárbie.
Depois, tinham as linhas, os muitos novelos de linhas, de tantas cores, as agulhas. A de bordar, a de fazer crochê, a de fazer tricô. Umas bonitas, misturadas. Faziam um trançado bonito.
Tinhas os desenhos, os debuxos, como chamava a mãe. As formas, os moldes, para a pintura de modo vazado.
A menina era acostumada com isso das mãos. Pois a mãe trabalhara fora por muitos anos. E quando veio a aposentadoria, dedicou-se a trabalhos manuais.
A casa, então, era colorida, bagunçada de panos, tintas, linhas, agulhas, pincéis, vidros, telas. Um campo aberto e visual e olfativo para a imaginação.
Mas, as tardes eram muito gostosas. Tinham cheiro de bolo ou de biscoitos assando no forno. Chá. Café. Conversa boa. Os olhos por cima dos óculos.
A mãe também escrevia. Fazia perfume. Misturava essências. Pintava panos e fazia capas de cadernos. Cadernos para receitas como picles, compota de maçã, doce de vidro (de mamão verde). Tomate seco.
Cadernos para poesias. Os segredos dos diários. Os azedantes cadernos de contabilidade. E o saudoso caderno-com-a-mamãe onde fora a menina alfabetizada entre carinhos e carões. entre muitas teimosias também.
E iam assim passando os dias entre trabalhos manuais, contabilidades, receitas, cheiros de comidas, conversas e lições escolares.
E tinham os filmes. As fitas. Assistiam a muitas fitas. E a mãe falava de outras tantas de antigamente.
Antigamente era uma palavra que estava se tornando recorrente com o passar dos anos: a mãe dizia estar envelhecendo.
Mas, aquela mãe-mulher também adorava os cheiros das flores. E comprava muitas sementes para semear no quintal. E dava certo!
Tinham couve-folha, coentro, tomate, cebola, manjericão para macarrão cheirinho bem ali no fundo da casa onde moravam. Tinham as folhas para os chás. Cidreira. Tinham rosas. Jasmim. Cheirava, cheirava os jasmins de manhã, a menina, logo cedo com seu doce cheiro doce.
Eram dias tranqüilos quando o eram para ser e intranqüilos quando também o eram para ser.
Experimentavam fazer de tudo. Faziam receita para fazer queijo cremoso. E comiam com pão. Levavam para os vizinhos.
Tentavam fazer talco, detergente. Depois riam das tentativas e das quantidades exageradas. Mas, não cabia presentear os vizinhos com talco ou com detergente.
Era uma casa cheia de cheiros, de cores, de sentido.
Era uma casa cheia de música também. A mãe cantava sempre.  E era bonito esse seu cantar. E fazia roda e juntava gente.
A casa era cheia de alegria. Até porque, a  menina,desafinava e elas se riam, todos riam. E a casa era um riso só.

P.S.: olha a minha cara olhando a tela. A idéia era fazer uma experimentação. Sair escrevendo aelatoriamente e depois captar a minha cara.
Não compreendi nada de nenhuma das expressões (nem da escrita, nem da fotográfica).
Ok.

Nota

Já encontrei os livros que queria. Inclusive e especialmente o da Ecléa Bosi. Todos os exemplares estão intactos.
O modem já voltou da "manutenção" e, portanto, já tem Internet na Bicen.
Mais, calma, percorri, com os números das chamadas devidamente anotados, e muita atenção, as prateleiras.
Dará para sobreviver, sim. Havia o susto, o impacto das trocas de lugares, do alvoroço de pessoas a procurar livros, etc. Mas, não foi tanto exagero meu observar as coisas observadas do post anterior.
E, seria legal deixar claro que assim que deparei com as portas fechadas da bicen, procurei conversar com um bibliotecário, uma pessoa super gentil e acessível, que me recebeu muito bem e me explicou algumas coisas sobre o funcionamento, na verdade, sobre as dificuldades de funcionamento da Bicen na UFS,  e sobre o ocorrido, etc. Não vou citar nomes publicamente, mas é só para marcar que procurei informações e fui fazer a minha reclamação "meio oficial". Isso é para me proteger de pensamentos apressados sobre a minha fala de que "só aqui para uma biblioteca fechar durante um mês, reeabrir, sem explicação alguma...".
Mas, já estou fichando o livro.
Já está tudo se encaminhando...
Mas, o silenciamento de todos juntos, continua a me incomodar... Ao menos numa questão como a da Bicen.

Bicen

Acabei de percorrer toda a Bicen. Reabriram-na hoje, depois de um mês ou mais de portas fechadas, sem grandes e claras explicações. Soubemos, à boca miúda, que a causa de fechamento, assim que retornamos às aulas, fora uma chuva e a consequente perda de alguns exemplares...
Depois de uma longa espera, desabrigados em relação ao espaço que é uma biblioteca para uma Universidade e, especial e drasticamente, sem acesso aos livros, a Bicen reabre.
Tamanho foi o meu susto, ao percorrer as prateleiras de livros. Não percebi reforma alguma, muito pelo contrário, ainda vi muitos baldes para aparar água de prováveis chuvas ou de ar-condicionados. Percebi ainda as feias lonas pretas cobrindo algumas prateleiras.
Mas, entre tantas coisas ruins, busquei desesperadamente o livro da Ecléa Bosi e não o encontrei.
O pior quanto à desarrumação: as referências (chamadas dos livros) estão misturadas. Não respeitaram uma memória espacial e a consequência foi ver alunos, aos montes, desorganizadamente, procurando livros que estavam distribuidos de maneira aleatória no que diz respeito aos números de chamadas e à posição: livros deitados, livros em pé. E isso não é frescura ou uma questão estética: tem a ver com a conservação dos livros. Pois os manuseamos com muita frequência na Bicen...

Enfim, liguei, desesperada e revoltada, para Jadson. Gritava ao telefone, não para ele, mas, para as pessoas que estavam perto. Fiquei mais calma e vim escrever.

Continuo achando que só aqui mesmo para aguentarmos um mês de biblioteca fechada, sem explicações e uma reabertura dessa maneira.
Soube, da mesma forma que se sabe das coisas aqui: à boca miúda, que houve uma perda de 20% dos exemplares.
Percebi um défict, mas, não posso afirmar que seja esse o montante. Mas, de qualquer forma, deveríamos ser avisados do que realmente aconteceu.

Bem, no mais, de maneira irada e desorganizada, fica minha raiva mais amena ao falar sobre. Querendo ser otimista...