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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Jessier Quirino (ou das coisas bonitas que acontecem em nossas vidas)

Conheci Jessier Quirino através de Rogério. No incício de nosso namoro. Ele me apresentou muitas letras e eu adorei todas. Assim que ouvi essa, lembrei logo de minha mãe e tratei de mostrar-lhe. Ela, entre risonha e emocionada, adorou também. Logo, passamos a achar coisas dele e a ouvir juntas. Já vi duas vezes o show dele e sempre ri muito e me emocionei também. A primeira vez que o vi, comprei um cd e pedi que o autografasse e dedicasse a Rogério (era uma tietagem, mas era também uma meira de agradecer a Rogério ele me te mostrado Jesiier...). Aqui vai a letra de "Vou-me embora para o passado":

Vou-me embora pro passado
Lá sou amigo do rei
Lá tem coisas "daqui, ó!"
Roy Rogers, Buc Jones
Rock Lane, Dóris Day
Vou-me embora pro passado.
Vou-me embora pro passado
Porque lá, é outro astral
Lá tem carros Vemaguet
Jeep Willes, Maverick
Tem Gordine, tem Buick
Tem Candango e tem Rural.
Lá dançarei Twist
Hully-Gully, Iê-iê-iê
Lá é uma brasa mora!
Só você vendo pra crê
Assistirei Rim Tim Tim
Ou mesmo Jinne é um Gênio
Vestirei calças de Nycron
Faroeste ou Durabem
Tecidos sanforizados
Tergal, Percal e Banlon
Verei lances de anágua
Combinação, califon
Escutarei Al Di Lá
Dominiqui Niqui Niqui
Me fartarei de Grapette
Na farra dos piqueniques
Vou-me embora pro passado.
No passado tem Jerônimo
Aquele Herói do Sertão
Tem Coronel Ludugero
Com Otrope em discussão
Tem passeio de Lambreta
De Vespa, de Berlineta
Marinete e Lotação.
Quando toca Pata Pata
Cantam a versão musical
"Tá Com a Pulga na Cueca"
E dançam a música sapeca
Ô Papa Hum Mau Mau
Tem a turma prafrentex
Cantando Banho de Lua
Tem bundeira e piniqueira
Dando sopa pela rua
Vou-me embora pro passado.
Vou-me embora pro passado
Que o passado é bom demais!
Lá tem meninas "quebrando"
Ao cruzar com um rapaz
Elas cheiram a Pó de Arroz
Da Cachemere Bouquet
Coty ou Royal Briar
Colocam Rouge e Laquê
English Lavanda Atkinsons
Ou Helena Rubinstein
Saem de saia plissada
Ou de vestido Tubinho
Com jeitinho encabulado
Flertando bem de fininho.
E lá no cinema Rex
Se vê broto a namorar
De mão dada com o guri
Com vestido de organdi
Com gola de tafetá.
Os homens lá do passado
Só andam tudo tinindo
De linho Diagonal
Camisas Lunfor, a tal
Sapato Clark de cromo
Ou Passo-Doble esportivo
Ou Fox do bico fino
De camisas Volta ao Mundo
Caneta Shafers no bolso
Ou Parker 51
Só cheirando a Áqua Velva
A sabonete Gessy
Ou Lifebouy, Eucalol
E junto com o espelhinho
Pente Pantera ou Flamengo
E uma trunfinha no quengo
Cintilante como o sol.
Vou-me embora pro passado
Lá tem tudo que há de bom!
Os mais velhos inda usam
Sapatos branco e marrom
E chapéu de aba larga
Ramenzone ou Cury Luxo
Ouvindo Besame Mucho
Solfejando a meio tom.
No passado é outra história!
Outra civilização...
Tem Alvarenga e Ranchinho
Tem Jararaca e Ratinho
Aprontando a gozação
Tem assustado à Vermuth
Ao som de Valdir Calmon
Tem Long-Play da Mocambo
Mas Rosenblit é o bom
Tem Albertinho Limonta
Tem também Mamãe Dolores
Marcelino Pão e Vinho
Tem Bat Masterson, tem Lesse
Túnel do Tempo, tem Zorro
Não se vê tantos horrores.
Lá no passado tem corso
Lança perfume Rodouro
Geladeira Kelvinator
Tem rádio com olho mágico
ABC a voz de ouro
Se ouve Carlos Galhardo
Em Audições Musicais
Piano ao cair da tarde
Cancioneiro de Sucesso
Tem também Repórter Esso
Com notícias atuais.
Tem petisqueiro e bufê
Junto à mesa de jantar
Tem bisqüit e bibelô
Tem louça de toda cor
Bule de ágata, alguidar
Se brinca de cabra cega
De drama, de garrafão
Camoniboi, balinheira
De rolimã na ladeira
De rasteira e de pinhão.
Lá, também tem radiola
De madeira e baquelita
Lá se faz caligrafia
Pra modelar a escrita
Se estuda a tabuada
De Teobaldo Miranda
Ou na Cartilha do Povo
Lendo Vovô Viu o Ovo
E a palmatória é quem manda.
Tem na revista O Cruzeiro
A beleza feminina
Tem misse botando banca
Com seu maiô de elanca
O famoso Catalina
Tem cigarros Yolanda
Continental e Astória
Tem o Conga Sete Vidas
Tem brilhantina Glostora
Escovas Tek, Frisante
Relógio Eterna Matic
Com 24 rubis
Pontual a toda hora.
Se ouve página sonora
Na voz de Ângela Maria
"— Será que sou feia?
— Não é não senhor!
— Então eu sou linda?
— Você é um amor!..."
Quando não querem a paquera
Mulheres falam: "Passando,
Que é pra não enganchar!"
"Achou ruim dê um jeitim!"
"Pise na flor e amasse!"
E AI e POFE! e quizila
Mas o homem não cochila
Passa o pano com o olhar
Se ela toma Postafen
Que é pra bunda aumentar
Ele empina o polegar
Faz sinal de "tudo X"
E sai dizendo "Ô Maré!
Todo boy, mancando o pé
Insistindo em conquistar.
No passado tem remédio
Pra quando se precisar
Lá tem Doutor de família
Que tem prazer de curar
Lá tem Água Rubinat
Mel Poejo e Asmapan
Bromil e Capivarol
Arnica, Phimatosan
Regulador Xavier
Tem Saúde da Mulher
Tem Aguardente Alemã
Tem também Capiloton
Pentid e Terebentina
Xarope de Limão Brabo
Pílulas de Vida do Dr. Ross
Tem também aqui pra nós
Uma tal Robusterina
A saúde feminina.
Vou-me embora pro passado
Pra não viver sufocado
Pra não morrer poluído
Pra não morar enjaulado
Lá não se vê violência
Nem droga nem tanto mau
Não se vê tanto barulho
Nem asfalto nem entulho
No passado é outro astral
Se eu tiver qualquer saudade
Escreverei pro presente
E quando eu estiver cansado
Da jornada, do batente
Terei uma cama Patente
Daquelas do selo azul
Num quarto calmo e seguro
Onde ali descansarei
Lá sou amigo do rei
Lá, tem muito mais futuro
Vou-me embora pro passado

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Vovô Zé


Ocorreram-me lembranças de meu avô Zé. Recordo agora dos dias em que me ensinava a andar de bicicleta em Estância. Lembro como ele gritava quando eu disparava em sua bicicleta de adulto, alta e pesada. Treináva-mos perto de um lugar que servia meio como um lixão em um bairro industrial da cidade. Vezenquando eu caía sobre montes de lixo e ele gritava: olha os vidros, Tiago! Tiaago! Meniiino! Eu achava tudo muito engraçado e ria. Nessa época já sofria de ausências, nessas horas não sei onde estava meu avô. E isso é estranho.


Meu avô Zé era um homem forte. Tinha sido, quando mais moço, jogador de futebol. Lembro-me que ele tinha uma caixinha de metal com um monte de coisas fascinantes dentro: um relógio de bolso, um vasinho de perfume que nunca secava em forma de coração, fotos dele e de minha avó. A caixinha ficava em baixo da cama, sempre. Às vezes fechada com um cadeadinho minúsculo.


Todos esperavam ele chegar de não sei onde para começarmos a almoçar, confesso que isso deveras me irritava, mas eram ordens da minha avó Eugênia, que usava remédios controlados. E o “deveras” peguei dele. Mas ele dizia “é de vera...” mas, era assim, devagar e comprido, “é de veeera”, com uma voz grossa e macia, admirado com alguma coisa. Sentávamos então à mesa. Ele começava a misturar toda a comida, feijão, arroz, farinha, ao mesmo tempo em que chupava uma laranja grande, que cortava com uma faquinha que ele mesmo fabricara quando trabalhava. Minha avó exigia então que rezássemos, e nós, evidentemente, obedecíamos. Eu repetia “obrigado Deus, obrigado Deus, obrigado Deus, obrigado Deus”, sem nem saber o que de fato estava fazendo, até quando minha avó começava a comer e eu, morto de fome, metia apressado o garfo no prato.


Em junho de 96, minha avó teve umas complicações cardíacas e faleceu. Em dezembro do mesmo ano meu avô teve um derrame cerebral. Ele não queria comer nada e começou a definhar. Eu ia visitá-lo e tentava animá-lo chamando-o de Seu Zé e sentando do lado dele. Dava um meio sorriso por conta da paralisia provocada pelo derrame e apertava a minha mão. Apertava de um jeito que agora lembro com o coração apertado. Que saudade que agora tá me dando de meu vovô Zé. Depois de tantos anos parece que agora percebi que perdi um amigo. Mas onde estavam essas lembranças?

Ele morreu em janeiro de 97, não lembro bem o dia. Mas não fora um dia triste. Estranho, mas não fora. Lembro que a morte não tinha o significado que agora tem pra mim, essa interrupção. O que me vem agora como estranha interrogação é: Por que em minha memória ele tinha desaparecido? Éramos amigos, ora. Dá-me certa raiva em ter que encarar essa desconsideração de minha parte. Que idiota que sou por isso. Aprendi tanta coisa besta durante todos esses anos sem meu avô Zé. Tanta coisa inútil, “sem valia” (outra expressão dele). Nunca achei que eu fosse rememorá-lo assim um dia. Porque tudo parecia estar morto, enterrado no jazigo do meu avô. Agora eu percebo que estava tudo apenas guardado. Como se dentro de um criado-mudo esquecido e invisível que a gente passa, olha, passa, se esbarra, mas que continua invisível.


Tiago de Oliveira

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Saudades, memórias.... e o futuro ?


já estava com saudades deste espaço que passei a acreditar e nunca pensei que pudesse um dia dizer isso. preciso entender as novas coisas como possibilidades... mas enfim, depois de alguns dias sem postar devido a minha ausencia em terras aracajuanas, devo informar que nesta terça foi um excelente dia de volta a terrinha querida ARACAJU é uma cidade linda e pulsante quando se tem os amigos certos em momentos unicos, foi o que aconteceu ontem.

Mas foi durante essa madrugada que parei para refletir muito acerca de questões como memória e perspectiva, depois de acordar as três da manhã com a minha amiga insonia que desta vez resolvir enfrentá-la concientemente, levantei da cama lavei os pratos e fui ver um filme. e foi durante ele que passei a pensar em minhas memorias ou na construção delas, minhas lembranças são justas comigo mesmo, tenho certeza que apesar de beirar apenas os 30 anos percebo que vivi intensamente tudo que me propus ou ao menos que a vida me proporcionou, por outro lado pensei no futuro, no que me espera ou o que tenho que ambicionar ou mesmo o que tenho que construir. Acho que me formo neste periodo e fico um pouco desmotivado, amo e odeio a academia e gostaria de continuar.
O filme que vi se chama "Coração Louco" é um filme menor e conta a história de um astro da música cowtry americana em decadência e que viaja em turnê pelo interior do Texas em bares sujos e sem nenhum glamour até conhecer uma garota se apaixonar e tentar recomeçar. é um filme que fala sobre a reconciliação do indivíduo consigo mesmo impulsionado por um movimento de redenção, mesmo que motivado por um sentimento que envolve um outro individuo. é um filme sobre o envelhecimento, sobre o passado e o futuro. é um filme simples, que conta com boas atuações, um direção pouco criativa que não vai além de muita coisa já feita por ai sobre o mesmo tema, mas a montagem eficiente, uma trilha cativante e uma boa direção fotografica foi capaz de mexer um pouco em minhas atuais emoções.

Bem, espero continuar a envelhecer de forma intensa e ao lado de amigos tão queridos...

Beijos

JT

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Meu amigo pós-erotico Tiago e a cidade de João Pessoa


Depois de passar dias escrevendo sobre o amor...... nenhuma putaria rolou.....
Só as coisas que tiaguinho posta aqui...

meu pé está doendo
e estou cansado
meu amigo tiago está do meu lado ele tão bonzinho e hoje em dia esta tão melhor tão mais vivo, gosto dele

e Jão Pessoa é de fato uma cidade legal, hoje comprei 20 reais de dvd pirata, pasoline, chaplin e outras perólas, tem uns 30 filmes de Bergman e eu sem dinheiro.....a o consumo.....

E eu tenho saudades de todos voces pois vos amo!

Beijo erotico em todos e até a volta

Jt