Mostrando postagens com marcador crise de valores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crise de valores. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A PORCARIA DA MUSIFICAÇÃO

Eu tenho problemas.

Li ontem, nalgum lugar, que um rapaz lia Clarice Lispector porque queria "esquecer" de sua vida, de seus problemas, ao passo que eu, quando o faço, sigo o caminho inverso: quero lembrar deles, quero enfrentá-los, assimilá-los culturalmente, através de formas que transcendem a minha própria originalidade. Mas ESQUECER, definitivamente, não é um verbo que eu goste. Quem me conhece, sabe. Quem não conhece, deve estar sabendo agora...

Faz um tempo que eu estou tentando ver "Providence" (1977, de Alain Resnais), mais, sempre que começo, o DVD engancha, a cópia estraga, a minha cabeça dói, algo acontece que impede. Na trama, um escritor velho é assassinato e seus amigos relembram sua vida e obra por um viés pessoal, longe, bem longe do esquematismo formal que marcara a sua existência. Ou algo assim, visto que evitei ler sinopses para não estragar a minha apreciação. Alain Resnais é um cineasta estranho. Mas fica a vontade, porque vontade eu tenho de sobra.

E eu sei que pode ser covardia de minha parte, mas é tão melhor trabalhar com musos pairando sobre minha mente...

E eu assinei um acordo (uso circunflexos, mesmo quando dizem que não se deve, mas aqui eu cedo): tenho que fazê-lo sem fazê-lo!

Wesley PC>

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

ANTES VER AS ESTRELAS AO SAIR DO QUE ABANDONAR AS ESPERANÇAS AO ENTRAR...

Talvez o título seja um tanto “interno” para quem ainda não leu “A Divina Comédia”, de Dante Alighieri, mas este é propositalmente o meu intento: acabo de ler este livro canônico da literatura mundial numa edição comentada de 1955 da editora portuguesa Sá da Costa e enfrentei trocentos pequenos dilemas enquanto consumia as páginas dos trinta e quatro cantos que compõem este belo livro. O principal destes dilemas atrela-se a um problema (entre aspas) comentado noutro texto: a minha velocidade de leitura versus o estilo poético do texto de Dante Alighieri, que obrigava-me a repousar demoradamente num dado aforismo, numa dada passagem, que eventualmente me empurrava para uma consulta às notas explicativas de rodapé, e aí por diante... Foi uma leitura difícil, mas muito recompensadora e, se empenho-me aqui em recomendá-la discretamente, é porque creio que seja um excelente contraponto conteudístico ao pessimismo iracundo que tomou Jadson quando de seu contato com um livro de Antônio Carlos Viana em que o Inferno era também citado. A diferença: no livro citado por Jadson, o Inferno estava aberto. No livro citado por mim, o Inferno está como sempre esteve: o autor e seu cicerone romano é que aceitam voluntariamente a tarefa de visitar os nove círculos e, oh, as atrocidades que eles encontram pelo caminho!

Não vou abrir aqui a minha boca presunçosa para dizer que consumir o livro da forma adequada (na verdade, apenas a primeira parte do livro, visto que ainda me faltam o “Purgatório” e o “Paraíso”, mas... Não é sobre o “Inferno” que todos falam?), mas o li com paixão, sorvi cada palavra e situação como se fosse eu próprio a estar lá, passeando por aqueles corredores naturais de horror, punição e pecado. Não me atrevo a tachá-lo de “obra-prima” porque algo na tradução apresentada me incomodou. “Aprenda a ler em italiano, Wesley”, aconselhou-me o amigo Flaubert, ao telefone. Eis o que devo fazer, depois que findar a modinha idiomática levada a cabo pela telenovela das 21h (risos). Salve, Dante Alighieri (1265-1321)!

Wesley PC>

domingo, 11 de julho de 2010

FAÇAM TUAS AS TUAS PALAVRAS (E IMAGENS)!

“Os jovens de hoje não podem continuar sendo educados como se não tivessem que assumir a criação dos próprios filhos e, portanto, a continuidade da comunidade nacional. A preocupação com os índios e com o meio ambiente, fomentada pelas escolas freqüentadas pela classe média, inserem uma inversão da hierarquia de valores. De nada adianta cultivar uma atitude conservacionista diante da natureza, deixando combalidos os pilares da sociedade: a família e a empresa” .

O texto pode ser encontrado na página 38 de “A Agenda Teórica dos Liberais Brasileiros”, publicado por Antonio Paim em 1997, através da Massao Ohno Editora; a fotografia pertence ao filme “O Desejo Liberado” (2006, de Mathias Glasner), um filme alemão de quase 3 horas de duração, em que um estuprador sai da cadeia – após 9 anos de reclusão preconceituosa – e não sabe o que fazer com todo o desejo sexual proibido que sente: ele estuprará de novo e, ao invés de condená-lo, a direção e o roteiro desta quase obra-prima melancólica põem-se ao lado dele, como se fosse um de nós em tela. Fiquei horrorizado ao ler o texto. Fiquei triste e excitado ao rever a imagem. Viver tem dessas coisas. A Adriana Calcanhotto bem sabe disso...

Wesley PC>