Mostrando postagens com marcador corpo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador corpo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de março de 2011

Kátia Flávia a godiva do Irajá

Num ato quase suicida, resolvi rever Lua de Fel, do Roman Polasnki. O filme havia me cativado da primeira vez que o vi. Muita coisa mão me havia saído da cabeça, mas revendo-o, percebi que muitos detalhes me haviam escapado. E com que prazer revi aquele filme que traz um narrador a la Sherazade, só que perverso. Oscar é cínico, irônico e desvela não só em Nigel, mas também em quem assiste ao filme, desvela a capacidade tirânica que carregamos em nós, a capacidade de sofrer e fazer sofrer, de ser sado-masoquista mesmo, no duro. É um filme sobre paixão perigosa, sobre o que uma paixão pode fazer com as nossas vidas. É um filme sobre o corpo, sobre nossos limites. É um filme sobre corações para sempre partidos (e não é por isso que Mimi passa um tempo sem dançar? Porque a dança vem do coração e o dela estava partido?). É um filme sobre como alguns maridos não despertam o fogo de suas mulheres belas (de beleza contida como o diz Oscar sobre a beleza de Fiona, mulher de Nigel) e se encantam por outras mulheres e quase perdem suas mulheres não para outra mulheres (a cena da dança entre Mimi e Fiona é magnífica), mas para o mundo,por ser ele hipócrita e falso moralista (talvez). É um filme sobre a impossibilidade de se explorar o outro. E é um filme que tem essa música que eu conheço na voz de Fernanda Abreu:


Kátia Flávia a Godiva do Irajá

Kátia Flávia
É uma louraça Belzebu
Provocante
Uma louraça Lucifer
Gostosona
Uma louraça Satanás
Gostosona e provocante
Que só usa calcinhas comestíveis e calcinhas bélicas
Dessas com armamentos bordados
Calcinha de morango
Calcinha geladinha
Calcinha de rendinha
Calcinha de morango
Calcinha geladinha
Calcinha de rendinha
Ex-miss Febem
Encarnação do mundo cão
Casada com um figurão contravenção
Ficou famosa por andar num cavalo branco
Pelas noites suburbanas
Ficou famosa por andar num cavalo branco
Pelas noites suburbanas
Toda nua!!! Toda nua!!!
Toda nua!!! Toda nua!!!
Matou o figurão
Foi pra Copacabana
Roubou uma joaninha
Pelo rádio da polícia ela manda o seu recado
Pelo rádio da polícia ela manda o seu recado
Get out!!! Get out!!!
Get out!!! Get out!!!
Pelo rádio, pelo rádio, pelo rádio, pelo rádio
Pelo rádio da polícia ela manda o seu recado
Alô polícia
Eu tô usando
Um Exocet
Calcinha!
Um Exocet
Calcinha!
Alô polícia
Eu tô usando
Um Exocet
Calcinha!
Um Exocet
Calcinha!
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa

Alô,Alô Polícia!
Polícia pode vir
Polícia Belford Roxo, de Duque de Caxias
Polícia Madureira, polícia Deodoro
São Cristóvão, Bonsucesso, da Benfica
Da Pavuna, da Tijuca, de Quintino, do Catete, Grajaú
Polícia do Flamengo, Polícia Botafogo, da Barra da Tijuca
Polícia, Polícia, Polícia, Polícia pode vir
Porque
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa
Kátia Flávia
É uma louraça Belzebu
Provocante
Uma louraça Lucifer
Gostosona
Uma louraça Satanás
Gostosona e provocante
Que só usa calcinhas comestíveis e calcinhas bélicas
Pow, pow, pow
Louraça Belzebu
Calcinha antiárea
Louraça Lucifer
Calcinha framboesa
Louraça Satanás
Calcinha de morango
Louraça Belzebu
Calcinha Exocet
Alô polícia
Eu tô usando
Um Exocet
Calcinha!
Um Exocet
Calcinha!
Alô polícia
Eu tô usando
Um Exocet
Calcinha!
Um Exocet
Calcinha!
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa
Meu nome é Kátia Flávia
A godiva do Irajá
Me escondi aqui em Copa
Fui...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

AS BACANTES


É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das coisas do lá fora

E sozinha supor
Que se estivesses dentro

Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora

Eu jamais ouviria. Atento
Meu ouvido escutaria
O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio.
Porque é melhor sonhar tua rudeza
E sorver reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.

(Hilda Hilst)



Desejo. Ausências. Corpos. Aromas. O vinho. O dionisíaco. Porque Hilda fica assim: pulsando em minha cabeça. Meu corpo-sensação se pergunta a todo momento: aconteceu ou sou uma ficcionista? Antes, sonhava que a música me excitava a ponto de me masturbar com o som. Eu era amante, assim, da música. Uma amante clássica. E é por isso que Ariana, assim aroma, assim corpo, assim bacante, assim tambor, me faz pensar: aconteceu ou sou uma ficcionista?

O meu corpo, eu o sentia corpo de Dionísio. Era a tatuagem dele o ponto de referência do meu olhar. Eu não queria significados. Mas, perguntei, como um tempo a mais para tocá-la e para tocá-lo. Para sentir o relevo da pele em desenho. Proximidade. Nunca pensei no siginifcado de tal palavra. Eu que me denomino sacerdotisa de Baco e, portanto, consagrada aos mistérios desse deus. Os mistérios. Os mistérios e seus significados guardados, velados. Eu, naquele momento de toque, queria era apenas tocar e nada mais. Tocar para sentir. Lamber para saber o gosto. O vinho respirava vivo por entre as veias. Dionísio em mim, Ariana, a preparar o corpo desde quando? Eu não o preparara, ao menos, não que eu assim soubesse. Mas, Pessoa falava, através de Caeiro, que "basta existir para ser completo". O gosto-lembrança não era de completude. Era de loucura inacabada. Bêbedo. Quando um personagem de Nelson Rodrigues falou assim "bêbedo" numa película de Jabor, eu ouvi platéias sorrirem. Mas, eu, Ariana, sabia. Aquela palavra não era para os risos. Era para o gozo. E o gozo, o gozo viria sem vinho, sem bebedeiras. Bêbedo uma vez, era necessário a rudeza da sanidade. Para o gozo, completo da existência pessoana: estar são. Antes, tudo vira sonho ou um não-saber-e-só-sentir-que-se-sabe-que-alguma-coisa-aconteceu. Nem toda existência, assim, Ariana, é completa, é isso o que dizes? Sim, responderia, eu, Ariana. Há aquelas exitências que são insanas. E para tanto, para não mais arder e arder: sábias são todas as ausências, Dionísio.

E, por isso, eu preparo aroma e corpo e festa e, ardendo, sozinha suponho coisas e pensamentos e repito para mim: é bom que seja assim, que não venhas, Dionísio.

P.S.: texto inspirado no poema de Hilda Hilst e nas idéias e adaptações de Zé Celso e no sempre Dionísio, deus amado e querido e sempre ovacionado aqui.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Nanomania

Gostava de mulheres pequenas
Seios pequenos, durinhos os bicos
A bunda arrebitada, redondinha
O sorriso largo para contrastar com a miudeza da vida
Tudo cabendo-lhe nas palmas das mãos, a sensação de guardar o mundo ali
Dizia sempre que a boca tem o tamanho da gula e que a gula era que era imensurável...